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O governo Lula (PT) reforçou às autoridades americanas, nesta segunda-feira (31), que o tarifaço contra o Brasil é injusto e que o país está disposto a dialogar. Os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Indústria e Comércio) se reuniram com o representante de comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, por videoconferência.
“Os Ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o País, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio”, disseram os ministros, em nota conjunta.
O encontro, segundo o governo, foi uma “consequência” do telefonema entre os presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. Há 10 dias, os dois mandatários conversaram por mais de uma hora. Esta foi a primeira reunião bilateral entre os países após o anúncio das duas novas tarifas, em julho.
O governo Trump impôs uma sobretaxa de 25% e outra de 12,5%, que podem ser somadas a depender do produto. "[Foi uma] reunião de retomada de diálogo, obviamente, nós não avançamos em nenhum ponto de negociação sobre setores, sobre oferta", disse o ministro da Indústria a jornalistas após a reunião.
De acordo com Márcio Elias, o governo brasileiro ressaltou que "não há possibilidade" de negociação envolvendo o Pix. Ao anunciar a nova taxação, os EUA afirmaram que a ferramenta de pagamento prejudica empresas americanas.
Vieira e Márcio Elias também reforçaram que as justificativas dos EUA para determinar as sobretaxas, no âmbito das investigações da Seção 301, “não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil”.
Nas próximas semanas, os representantes devem debater os aspectos técnicos das negociações. Após esta etapa, uma nova reunião ministerial deve ocorrer “a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas”.
“Eu mencionei a eles que não é do interesse do Brasil que haja uma retração da participação dos EUA na nossa pauta exportadora, ao contrário. Ao longo de dois séculos, eles foram o principal parceiro comercial do Brasil. Nós queremos que isso volte a acontecer, mas, para isso, é preciso que haja da parte deles o reconhecimento de que, para reequilibrar, o acordo precisa ser recíproco”, ressaltou Márcio Elias.
Veja a íntegra da nota do governo sobre a reunião com os EUA
“Como consequência das conversas mantidas pelos Presidentes Lula e Donald Trump, os Ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços reuniram-se, de maneira virtual, na tarde de hoje, com o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, com o intuito de avançar nas negociações em torno de duas decisões recentes daquele país em aplicar novas tarifas sobre produtos brasileiros com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.
O lado brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo com as autoridades norte-americanas, em linha com os históricos laços de amizade e de comércio mutuamente benéfico que marcam as relações entre os dois países.
Os Ministros reiteraram, ademais, que o governo brasileiro não concorda com as medidas unilaterais impostas contra o País, que não são compatíveis com as regras multilaterais de comércio. Uma vez mais, indicaram que as justificativas apresentadas pelo Governo dos Estados Unidos nas conclusões das investigações conduzidas ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana não correspondem às efetivas práticas brasileiras, sendo injusto o tratamento discriminatório adotado contra o Brasil.
As partes concordaram em voltar a reunir-se em nível ministerial, em data oportuna, a fim de revisar o progresso alcançado nas tratativas bilaterais e nas reuniões técnicas que serão realizadas nas próximas semanas. Admitiu-se, ainda, que as próximas reuniões sejam virtuais ou presenciais.
O governo brasileiro reitera que seguirá perseguindo um acordo equilibrado e mutuamente benéfico com os EUA, pautando-se sempre pelo respeito ao diálogo e à soberania nacional.”




