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Atendimento na Agência do Trabalhador, em Curitiba: em setembro, todos os setores mais demitiram do que contrataram pessoal. | Giuliano Gomes/Gazeta do Povo
Atendimento na Agência do Trabalhador, em Curitiba: em setembro, todos os setores mais demitiram do que contrataram pessoal.| Foto: Giuliano Gomes/Gazeta do Povo

Pelo sexto mês consecutivo, o saldo de empregos no Brasil foi negativo. Em setembro, foram fechadas 95,6 mil vagas formais de trabalho, segundo informou nesta sexta-feira (23) o Ministério do Trabalho.

O resultado é o pior para o mês dentro da série histórica iniciada em 1992. Com a retração, o número de postos fechados já ultrapassa 1,2 milhão nos últimos 12 meses. Somente neste ano, são 658 mil empregos com carteira a menos.

INFOGRÁFICO: Veja a evolução do emprego formal em 2015 no Brasil e no Paraná.

O dado do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do mês passado é fruto de 1,326 milhão de admissões e 1,422 milhão de demissões. O resultado foi muito inferior ao registrado em setembro do ano passado, quando ficou positivo em 123,8 mil vagas. Os dados são sem ajuste, ou seja, não incluem as informações passadas pelas empresas fora do prazo.

O resultado de setembro ficou perto do piso das expectativas do mercado para o mês passado. De acordo com levantamento do serviço AE Projeções, da Agência Estado, a expectativa era que o mercado de trabalho com carteira assinada tivesse retração de vagas, com resultado negativo entre 45 mil a 102,5 mil. O resultado foi pior que a mediana apurada, que esperava um corte de 61,5 mil postos de emprego formal no período.

Se o comerciante espera um Natal fraco, ele não vai contratar. E setembro costuma ser mês de contratação para as empresas que se preparam para o movimento maior de fim de ano.

Thiago Biscuola, economista da RC Consultores.

Os dados apresentados nesta sexta sugerem que a deterioração no mercado de trabalho brasileiro será prolongada, durando ainda vários trimestres, segundo análise do banco britânico Barclays. “Isso reduzirá a renda disponível e prejudicará o consumo das famílias”, afirma.

Setores

O setor de serviços foi o responsável pelo maior número de vagas formais de trabalho fechadas em setembro. No total, foram encerrados 33,5 mil postos no setor. Todos os setores da economia fecharam vagas no mês passado.

O segundo maior responsável por fechamento de postos no mês passado foi a construção civil, com menos 28,2 mil vagas.

-8.472 vagas

O saldo do emprego formal no Paraná em setembro ficou negativo em 8.472 vagas. No acumulado do ano, entre janeiro e setembro, houve perda de 14.406 postos, na série ajustada do Caged. A capital Curitiba foi a cidade do estado com o pior saldo em setembro: menos 2.527 empregos.

Para o economista Thiago Biscuola, da RC Consultores, a baixa expectativa do comércio para as vendas de fim de ano afetou a geração de empregos formais no segmento. “Se o comerciante espera um Natal fraco, ele não vai contratar. E setembro costuma ser mês de contratação para as empresas que se preparam para o movimento maior de fim de ano”, disse.

Biscuola também disse que, além de as empresas estarem demitindo mais, elas estão postergando contratações, em razão das incertezas da economia.

“Há problema de confiança. Por mais que muitos empresários não saibam qual é o impacto da piora fiscal do governo em seus negócios, eles veem os juros subindo e sentem mais dificuldade para conseguir crédito.”

Contratações de Natal devem cair 35%

  • são paulo

As contratações temporárias no final do ano devem totalizar 105 mil em todo o país, queda de 35% na comparação com o mesmo período do ano passado. A estimativa é da Federação Nacional dos Sindicatos das Empresas de Recursos Humanos, Trabalho Temporário e Terceirizado (Fenaserhtt).

Se confirmada a projeção, as contratações temporárias em 2015 vão voltar para o mesmo nível de 2007. O número subiu ano a ano, até chegar ao pico de 163 mil contratados em 2014. Apesar do cenário ruim, a expectativa das entidades é de que 5% do total de temporários (cerca de 6 mil) sejam efetivados pelas empresas, o mesmo porcentual de efetivados em 2014. A indústria deve concentrar 67% das vagas temporárias e o comércio, 33%.

Para 48% das empresas pesquisadas, os contratos firmados nesta época do ano devem durar entre 61 e 90 dias. Do total de contratados, 72% devem ter entre 22 e 35 anos.

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