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O Banco de Brasília (BRB) confirmou as expectativas do mercado e informou que não divulgará o balanço de 2025, contrariando o prazo legal definido pelas normas do Banco Central (BC). A data limite para a apresentação do balanço consolidado era esta terça-feira (31) e o BC havia determinado que o BRB deveria demonstrar ter patrimônio líquido em caixa para continuar operando e evitar uma intervenção.
A instituição bancária comunicou a decisão através de um fato relevante encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). De acordo com o documento, a auditoria que apura os prejuízos oriundos do envolvimento do BRB com o caso Master ainda precisa ser concluída.
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“O BRB esclarece que a publicação das demonstrações financeiras referentes ao 3º e ao 4º trimestres de 2025 será postergada, em razão da necessidade de conclusão dos trabalhos da auditoria forense”, disse o banco.
O BRB, que pertence ao Distrito Federal, é investigado por uma suposta colaboração em uma fraude financeira da ordem de R$ 12 bilhões ligada supostamente ao escândalo financeiro do Master, descoberto em novembro de 2025 pela Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).
A investigação acabou na liquidação do banco, que é propriedade de Daniel Vorcaro, e teria provocado perdas relevantes para o BRB. Com o chamado “capital mínimo prudencial” comprometido, uma reserva que instituições financeiras precisam manter para garantir estabilidade operacional, existe a chance de que o BRB sofra uma intervenção dos órgãos reguladores. Sempre que questionada, a instituição declara que tem “solidez” e um “plano estruturado de capitalização”.
Um relatório do Tribunal de Contas da União identificou que o BRB aceitou negociar bilhões de ativos de nomenclatura genérica "Diversos", sem uma devida comprovação da existência dos fundos ou de sua liquidez. A instituição, no entanto, declarou ter conseguido reaver aproximadamente R$ 10 bilhões do montante ao longo de 2025, reduzindo parcialmente o impacto financeiro da operação.
O governo do DF pediu autorização à CLDF para contratar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e instituições financeiras. Como garantia, foram oferecidos nove imóveis públicos. A operação, no entanto, foi parada na Justiça.
Por si só, o descumprimento do prazo para a apresentação do balanço é um fator que compromete a confiança do BRB. A falta de informações sobre sua real situação financeira acarreta prejuízos à imagem do banco, que depende da confiança de clientes e investidores.










