• 28/12/2020 08:41
Câmbio

Para analistas, cotação do dólar dependerá de medidas fiscais

  • 28/12/2020 08:41
    • Estadão Conteúdo
    Para analistas, cotação do dólar dependerá de medidas fiscais
    Se o governo brasileiro furar o teto de gastos em 2021, o dólar pode subir mais 10% a 15%, afirma gestor da Verde Asset Management| Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

    O real teve forte recuperação nas últimas semanas, saindo da casa dos R$ 5,60 e chegando perto de R$ 5. Bancos, consultorias internacionais e corretoras locais até veem a moeda americana furando os R$ 5 pontualmente em 2021. Mas, para permanecer neste nível de forma sustentada, será preciso que o governo de Jair Bolsonaro avance com o ajuste fiscal – o que analistas veem como uma dificuldade para o ano que vem.

    Bancos como JPMorgan, Citibank, Commerzbank, Morgan Stanley e Bank of America, além de consultorias como a Capital Economics e corretoras, como a Commcor e NGO, veem o dólar acima de R$ 5 nos próximos meses. Mas, com chance do fluxo para emergentes seguir forte, em meio à liquidez sem precedentes no mercado financeiro internacional, o real pode ter apreciação pontual no início de 2021. O banco americano Citi projeta o dólar a R$ 5,43 no fim de 2021, ano em que o governo deve superar o teto de gastos em ao menos em R$ 75 bilhões, prevê o banco.

    Se o início da vacinação no Brasil ocorrer no primeiro trimestre de 2021, será fator de comemoração nos mercados. Se ficar para depois, poderá prejudicar a recuperação da arrecadação e da economia do país, avalia o gerente de derivativos financeiros da corretora Commcor, Cleber Alessie Machado Neto. Para ele, o começo do próximo ano tende a ser favorável a ativos de risco por causa da vacinação contra a Covid-19 em andamento em vários países, estímulos fiscais abundantes e juros baixos no mundo. Mas, para o Brasil "surfar" na onda externa positiva, será preciso que o governo consiga aprovar as reformas administrativa e tributária no primeiro semestre e cumprir o teto de gastos.

    O sócio e gestor da Verde, Luis Stuhlberger, afirmou, em evento recente pela internet, que se o governo furar o teto em 2021, o nível do dólar pode subir ainda mais 10% a 15%. Para Stuhlberger, dada a situação fiscal muito frágil do Brasil, furar o teto seria muito ruim, mesmo que isso seja feito de forma provisória.

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