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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu procedimento para apurar a concentração de mercado gerada pela aquisição pelo empresário Abilio Diniz de ações do Carrefour. Diniz é também presidente do Conselho de Administração da gigante de alimentos BRF.

A superintendência geral do órgão vai apurar se a operação gera concentração representativa, o que significa que deveria ter sido notificada ao conselho. A avaliação deverá levar em conta não só o porcentual de ações da rede varejista, como também a participação na BRF e outros investimentos do empresário.

O procedimento foi aberto após o Cade receber representação do Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (Ibedec) questionando a aquisição de ações pela Península Participações, que reúne investimentos de Abilio Diniz. Segundo o conselho, foram feitas diligências, que agora estão em fase de análise.

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“O conteúdo do procedimento aberto pela superintendência geral, no momento, é de acesso restrito às partes”, informou o órgão, em nota. As participações de Abilio Diniz nas duas empresas não ultrapassam os 20%, que é o porcentual exigido pelo Cade para notificação obrigatória de operações em Bolsa. Apesar disso, o conselho pode entender que a compra deveria ter sido comunicada ao órgão pelo critério de faturamento, que prevê notificação de transações envolvendo empresas com faturamento superior a R$ 750 milhões.

Esclarecimentos

Diniz terá de prestar agora uma série de informações, entre elas receitas de empresas nas quais ele tem participação e detalhes das operações. A preocupação é que a aquisição de parte de uma das principais redes de varejo do país possa representar vantagens para a BRF e fechar mercado para concorrentes.

“Abilio Diniz esclarece que está colaborando com o Cade em processo de averiguação de informações sobre sua participação acionária nas empresas BRF e Carrefour”, disse a assessoria do empresário, em nota. Em dezembro, o ex-dono do grupo Pão de Açúcar informou que havia comprado 10% de participação no Carrefour por 600 milhões de euros, tornando-se um dos principais acionistas minoritários do grupo francês.

Na semana passada, a Península, escritório de investimentos da família do empresário, informou que está exercendo o direito de ampliar a fatia no Carrefour Brasil para 12%, o que já estava previsto no acordo firmado no ano passado. O porcentual poderá aumentar ainda mais nos próximos anos. Diniz deixou o Pão de Açúcar, fundado por sua família, depois de rumorosa disputa com o também francês Casino, que hoje controla a companhia.

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