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Agronegócio

Cadeia complexa dificulta previsões

Rentabilidade da extração do óleo e destinação de resíduos são entraves à escolha da matéria-prima

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Não é só a demanda mundial por soja – e a conseqüente alta nos preços do grão – que representa um desafio para o programa de biodiesel brasileiro. A complexa cadeia produtiva do combustível vegetal, que inclui não só a disputa com outros mercados, mas também o rendimento da extração de óleo e a destinação dos resíduos da produção, torna difícil o traçado de um cenário claro para o futuro do biodiesel no Brasil.

O pesquisador Mauro Osaki, do Centro de Pesquisa Econômica Aplicada (Cepea), da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), lembra que as mais prováveis fontes de matéria-prima de biodiesel no Brasil ainda têm algum desafio para vencer. "Cada região do país vai encontrar uma fonte mais interessante para suas condições do solo e climáticas, mas vai ser preciso aprender mais sobre as culturas e isso pode levar tanto 5 como 15 anos", diz ele.

Uma ampliação da cultura de girassol na Região Sul, exemplifica o especialista, exigiria um melhoramento genético para aumento de produtividade. "Além disso, o produtor tem de estar preparado para conviver com a presença de pássaros na lavoura, que ele não vai poder matar", diz. No caso da mamona, são o farelo – que não pode ser consumido – e o potencial de utilização como matéria-prima de produtos mais nobres (e bem mais caros) que geram a dúvida se um aumento na produção não passaria a ser destinado a outros fins que não o de produção de biocombustíveis. "O óleo de mamona é refinado pela indústria química e se torna um produto nobre, com valor agregado alto", afirma Osaki.

Para as usinas, que em geral são multifuncionais (trabalham com diversos tipos de matéria-prima, inclusive gordura animal), o que vai fazer diferença na escolha da compra é o custo de produção. Os incentivos de desoneração tributária são para mamona e dendê, nas regiões Norte e Nordeste. "Na hora de definir a desoneração, o governo pensou em apenas um elo da cadeia, não nela toda. Não adianta produzir no Norte do país para mandar biodiesel para São Paulo, a distribuidora vai gastar mais com transporte do que estará economizando com o produto. Por enquanto, a soja, além de ter escala, é a produção que está distribuída por todo o país", destaca o coordenador de economia da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Márcio Nappo.

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