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Juros

Cartões de crédito podem ser a opção mais cara ou mais barata para rolar dívidas

Muitos cartões oferecem a opção para pagamento de contas e para esses serviços, as taxas estão entre as menores do mercado

Rolar a dívida no cartão de crédito é a opção mais cara para o consumidor que não consegue fechar o mês no azul, mas também pode ser a mais barata. Isso porque, ao mesmo tempo em que têm as taxas de juros mais altas do mercado - em média 10,69% ao mês, segundo a pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) - muitos cartões oferecem a opção para pagamento de contas, ou seja, permitem que o cliente quite faturas de telefone, luz, mensalidade escolar, condomínio, financiamentos e até boletos de outros cartões de crédito. E, para esses serviços, as taxas estão entre as menores do mercado. Variam de zero a 3,99% ao mês, de acordo com levantamento feito pelo GLOBO com os seis maiores bancos de varejo do país, responsáveis por cerca de 70% de todo o crédito oferecido.

Há ainda os cartões que cobram valor fixo de R$ 15 por conta paga, independentemente do valor da conta. Numa fatura de R$ 1 mil, por exemplo, o valor corresponde a uma taxa de 1,5% ao menos, bem melhor que os cerca de 8,65% ou R$ 86,50 que o cliente pagaria se entrasse no cheque especial. Já numa conta de R$ 100, a mesma cobrança deixa de ser vantajosa, pois equivale a juros de 15% ao mês.

"Algumas dessas taxas podem ficar abaixo da menor multa por atraso de conta, que é de 2%. E se sua conta vence dia 1º e o seu cartão no dia 30, vale a pena pagar a conta no cartão", diz Gilberto Braga, professor do Ibmec-RJ.

Mas, para ser realmente uma boa opção, o pagamento de contas no cartão exige atenção do consumidor, como explica o economista Miguel Ribeiro de Oliveira, coordenador de pesquisas da Anefac.

"Se eu não tenho dinheiro para pagar uma conta, em vez de usar o limite do cheque especial, que custa 10%, posso jogar algumas despesas no cartão e economizar nos juros. Mas se eu não pagar a fatura integralmente no vencimento, vou arcar com os juros do rotativo, que são bem maiores.

Ribeiro de Oliveira também alerta para o perigo de concentrar dividas no cartão todo mês. "É bom para ser usado na emergência e liquidado no vencimento. O problema é que as pessoas têm mania de incorporar essas facilidades ao orçamento, como se aquele limite fosse somado à renda", diz.

O pagamento de conta está entre as únicas cinco tarifas que os cartões ficaram autorizados a cobrar, de acordo com as novas regras do Banco Central (BC) que entraram em vigor no dia 1º de junho. Desde então, o banco Santander aboliu a cobrança pelo serviço no Santander Free, cartão que também é isento de anuidade mesmo para quem não é correntista do banco. A única contrapartida do cliente é usar o cartão ao menos uma vez por mês.

"Até então, o entendimento era que o pagamento de contas era um serviço, e os serviços criados para os clientes tinham preços. Quando o BC regulamentou como tarifa, nós deixamos de cobrar para atender à característica do Santander Free, de ser um cartão sem tarifa. Assim como temos o Flex que permite pular uma fatura por ano e pagar duas juntas sem encargos, outro que dá milhas em dobro, entre vários produtos diferenciados", explica Cassious Shymyra, diretor de Cartões do Santander.

Nos demais cartões do banco, a tarifa de pagamento de contas tem valor fixo de R$ 15 por boleto pago, qualquer que seja o valor. A mesma taxa é cobrada pelo HSBC. Já no Itáu-Unibanco, o serviço custa 2,99% e o Bradesco só oferece a opção nos cartões Amex, com taxas que variam de 3,5% a 3,99% ao mês.

"Como não existe almoço grátis, um banco que dá um crédito de 30 dias sem cobrar nada ou com taxa muito baixa, faz isso para aumentar sua carteira de clientes. E eles ganham de outra forma, porque quando você usa o cartão dele, a loja vai pagar entre 0,5% e 3% ao cartão, dependendo do tamanho. Se você não usar, ele não vai ganhar nada. Ao consumidor cabe usar esse marketing do banco a seu favor. A competição entre os bancos existe para isso mesmo", diz o economista da Anefac.

Para usar o cartão de forma vantajosa é preciso observar, além dos serviços, prazos extras e recompensas, as anuidades cobradas em cada um deles. "O banco não oferece tarifa zero porque é bonzinho, mas porque quer um relacionamento global com o cliente para ganhar nas outras formas. Na hora de escolher um cartão não se pode considerar só o pagamento de contas, mas uma série de fatores e, em geral, cartões com muitos serviços diferenciados cobram anuidades altas. É importante também estar atento às vantagens oferecidas pelos cartões que se já tem, para não gastar mais em anuidade", diz Gilberto Braga.

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