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Cheque sem fundos ganha força em época de compras

Pré-datados do Dia da Criança dão prejuízo a comerciantes em novembro; situação deve se repetir nos meses seguintes ao Natal

Veja no infográfico o crescimento no número e no uso de cartões de crédito |
Veja no infográfico o crescimento no número e no uso de cartões de crédito (Foto: )
O posto onde Fábio Augusto trabalha perde com o

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O posto onde Fábio Augusto trabalha perde com o

O volume total de cheques sem fundos emitidos no país subiu de 1,92% em outubro para 2,19% em novembro, segundo dados divulgados ontem pela Serasa Experian. Economistas da consultoria atribuem o aumento aos parcelamentos feitos com cheques pré-datados nas compras para o Dia da Criança e, segundo o professor de Finanças da Faculdade de Administração e Economia (FAE) Armando Raso­to, o cenário deverá se repetir nos próximos meses, com os excessos das compras de Natal. "Em fevereiro devem começar a cair os cheques pré-datados e a probabilidade de inadimplência é grande", diz.

No entanto, com exceção dos meses que concentram datas de grande consumo, a utilização do cheque vem caindo na preferência de consumidores e donos de estabelecimentos. Para o professor do Departamento de Eco­nomia da UFPR Luciano Naka­bashi, a redução no uso dos cheques é reflexo do crescimento dos meios eletrônicos de pagamento, que se popularizaram rapidamente, sobretudo no co­­mércio de bens e serviços. "Há algum tempo possuir uma má­­quina de cartões era um diferencial do estabelecimento. Hoje é uma necessidade, que, se não atendida, pode levar à perda de clientes", afirma o professor.

A substituição crescente dos cheques por cartões também é apontada em uma pesquisa da Associação Brasileira das Empre­sas de Cartões de Crédito e Ser­viços (Abecs) sobre o mercado dos meios eletrônicos de pagamento. De acordo com o levantamento, o dinheiro ainda é preferido por 76% dos lojistas, mas os cartões de crédito e débito já representam mais da metade do faturamento dos estabelecimentos comerciais. Enquanto o dinheiro é responsável por um terço do faturamento dos estabelecimentos pesquisados, o cheque tem contribuição cada vez menos expressiva, cerca de 3% em 2011.

Golpes

Nos últimos dez anos, o número de transações e pagamentos feitos com cheques diminuiu 61%. Após um período de estabilidade, registrado entre os anos de 2001 e 2006, a quantidade de cheques devolvidos e sem fundo também vem apresentando queda constante, com pequenas variações em meses de datas importantes para o comércio. Nesse mesmo período de dez anos, de acordo com o Banco Central, aumentaram os valores dos cheques devolvidos e sem fundos. "Isso comprova que, cada vez mais, os cheques estão sendo utilizados por pessoas interessadas em dar calote e tirar vantagem das fragilidades a que estão sujeitos os estabelecimentos que aceitam os talões", afirma Rasoto.

No posto de gasolina em que Fábio Santana Augusto trabalha, os cheques ainda são aceitos, mas a consulta aos serviços de proteção ao crédito é um procedimento padrão. "Apesar das precauções, cheques devolvidos são comuns aqui no posto", diz. Para Luiz Felipe Pelanda, gerente da rede de postos de gasolina que leva seu sobronome e inclui o estabelecimento gerenciado por Augusto, o prejuízo com cheques sem fundos varia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil mensais, mas está mais restrito aos quatro postos da rede que ficam em rodovias. "Nos três postos da cidade, os cartões respondem por 90% do pagamento. Mas as empresas ainda utilizam muito o cheque", afirma Pelanda, justificando o motivo pelo qual o cheque ainda não foi abolido das formas de pagamento.

Talão ficará restrito a transações de empresas pequenas, diz professor

O crescimento do poder aquisitivo das classes C e D e as facilidades para adquirir cartões de crédito são fatores que levam o professor de Finanças da FAE Armando Rasoto a afirmar que o dinheiro eletrônico é o dinheiro do futuro. Segundo ele, os cheques pré-datados estão sendo facilmente substituídos pelos cartões de crédito, cuja principal vantagem para os consumidores é a possibilidade de fazer compras sem a necessidade de dinheiro na mão.

Apesar de não estarem na preferência da maioria dos lojistas por causa das taxas e encargos, conforme apontou a pesquisa da Abecs, os cartões de crédito são responsáveis por grande parte do faturamento dos estabelecimentos pesquisados em dez capitais brasileiras. Para Rasoto, a tendência é que os cheques acabem ficando restritos a transações comerciais entre empresas de pequeno e médio porte, para a compra de produtos e matérias-primas que integram o processo de produção. Mas, ainda assim, não vê muito futuro para os cheques na era dos cartões e das maquininhas abundantes.

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