
A classe C gastou R$ 147,6 bilhões na Região Sul no ano passado na compra de produtos e contratação de serviços. Somente em alimentos e bebidas foram R$ 30,4 bilhões, o que representou um aumento de 328% em oito anos. O consumo de itens de higiene e beleza cresceu 495%, para R$ 2,8 bilhões, na mesma base de comparação.
O volume de gastos da classe média já encosta no das classes A e B, que juntas consumiram o equivalente a R$ 148,2 bilhões no ano passado. Os dados foram obtidos pelo cruzamento de dois estudos do Instituto Data Popular, especializado em monitorar o desempenho da nova classe média.
O Sul é a região que tem a maior fatia da população na chamada classe C. Mais da metade dos habitantes dos três estados 55,3% estão nessa faixa de renda contra 53% no Sudeste. Em 2002, a proporção era de 47%.
O forte avanço dessa classe social, embalado pelo aumento da renda e do emprego, promoveu uma explosão do consumo, mas ele não é semelhante em todas as regiões. Um outro relatório do Data Popular, intitulado "Diferenças e Semelhanças nas Regiões Brasileiras", com base nos dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revela que a classe média que cresceu no Sul tem um perfil de consumo diferente da que se espalhou pelo Norte ou no Nordeste.
A nova classe média do Sul é, por exemplo, a mais motorizada no país: 67% das famílias têm automóvel, contra 49% das do Norte e do Centro-Oeste. Ela é a segunda em termos de planos de saúde 43% das famílias da classe no Sul têm plano, atrás apenas das do Sudeste (50%) e a que tem a maior proporção de lares (95%) com lavadoras de roupa.
Para o economista Fabio Tadeu Araújo, professor da PUC-PR, essa diferença é explicada pelo perfil de renda entre as regiões. "A classe C abrange um grande intervalo de renda, o que tem feito com que alguns consultores já dividam essa classe em C2, para quem está na base, e C1 para quem se aproxima mais da B. O que vemos é que no Sul há um número maior de pessoas que se aproximam do topo da classe C. Já o Nordeste ainda tem um grande número de pessoas que passou há pouco da D para a C", afirma. No Sul também há uma parcela da população que é classe C há mais tempo.
O processo de migração da classe D para a C deve continuar por pelo menos mais 25 anos, projeta Marcio Falcão, consultor do Data Popular. "A questão será saber se o potencial de consumo vai continuar a crescer na proporção que vimos até agora. Esse será o grande desafio para as empresas", afirma. Estimativas apontam que até 2014 58% da população brasileira vai estar nessa faixa de renda.
A classe média mudou o comportamento de consumo nos últimos anos. Passou, por exemplo, a comer mais fora de casa esse tipo de gasto cresceu 570% em oito anos, para R$ 5,7 bilhões no Sul. E aumentou o número de itens no carrinho do supermercado de cereal matinal a suco concentrado, passando por sorvetes e novos itens de beleza, como cremes faciais e maquiagem.
Agora, apontam analistas, a próxima onda de consumo da classe C vai se dar no setor de serviços. Empresas das áreas de planos de saúde, seguros, escolas particulares e turismo devem ser beneficiadas. A nova etapa deve incluir ainda a troca do automóvel usado e a compra do primeiro imóvel, prevê Araújo.




