
A força de consumo da nova classe C foi responsável por movimentar desde a venda de alimentos até a de automóveis, passando por eletroeletrônicos. A indústria de alimentos Zaeli, que há oito anos faturava cerca de R$ 250 milhões, fechou 2010 com receita de R$ 400 milhões, 15% mais do que no ano anterior. Para 2011, a expectativa é crescer entre 10% e 15%.
A empresa, que tem fábricas em Umuarama (Noroeste do estado) e Uruguaiana (RS), investiu, nos últimos anos, em novas linhas de produção, como as de macarrão instantâneo e cereais matinais, e na ampliação de linhas de temperos, azeitonas, amendoins, farofas e aperitivos. Também abriu quatro novos centros de distribuição, em Brasília, Barreiras (BA), Imperatriz (MA) e Belém.
"O efeito da renda e a estabilidade da economia propiciaram a essas pessoas [a classe média emergente] o acesso a produtos pelos quais antes elas não tinham condições de pagar", afirma Valter de Oliveira Rodrigues, diretor comercial da empresa. Ele estima que 60% das vendas da Zaeli sejam para a classe C e 30% para as faixas D e E. Apesar do avanço da classe C nas regiões Norte e Nordeste, o Sul ainda tem uma vantagem de 30% no mix de consumo.
A rede de lojas Salfer, com atuação em Santa Catarina e no Paraná, pegou carona no crescimento das classes emergentes e registrou um aumento de 417% no faturamento entre 2003 e 2010, fechando o ano passado com receitas de R$ 698 milhões. A empresa, que tem 200 lojas, se prepara para bater a marca de R$ 1 bilhão em 2012.
A classe C representa entre 25% e 30% das vendas de pacotes de turismo da New Line, operadora que há dois anos começou a oferecer produtos para esse público. Uma das principais mudanças foi a ampliação das formas de pagamento. A empresa passou a aceitar o pagamento no boleto bancário em até dez vezes.
A nova classe média gosta de viajar principalmente para o Nordeste do Brasil e para Argentina, Chile e Peru, segundo o diretor administrativo e de operações, Sildemar Paulucci. Depois de crescer 20% em 2010, a operadora de turismo estima que será possível aumentar entre 30% e 40% seus negócios em 2011. A empresa, que tem seis filiais, se prepara para lançar franquias em 2012.
"As empresas ainda estão aprendendo a entender a classe C. Muitas delas com atraso e outras nem tanto", afirma o o publicitário Ciro Cesar Zadra, diretor da CCZ Comunicação. O movimento foi puxado por multinacionais, que diversificaram produtos e lançaram embalagens menores para que o preço pudesse caber no bolso da nova massa de consumidores.
Mas as mudanças mais expressivas ainda estão por vir. Para Zadra, as classes emergentes e a chegada da geração que hoje tem de 15 a 20 anos ao mercado de consumo nos próximos anos deve obrigar as empresas a se reinventarem. "Serão dois grandes movimentos. Uma classe social ávida por consumir e um comprador cada vez mais exigente e que não tem apego à marca", afirma.



