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Há cerca de dois meses defendi nesta coluna que a melhoria do nosso ensino dependia muito de um aperfeiçoamento dos professores e da gestão das escolas. O tema é controvertido porque muitos colocam toda a carga no aumento de investimentos e da remuneração dos professores.

Não desprezo essa providencia, pois o Brasil precisa melhorar muito nesses campos. A remuneração é baixa para a maioria dos brasileiros. Cerca de dois terços recebem até três salários mínimos por mês, o que é muito pouco para manter uma família.

Voltemos à questão do ensino. A Consultoria McKinsey realizou uma extensa pesquisa para saber o que determina o sucesso de alguns países que possuem padrões altíssimos nesse campo. Um resumo da pesquisa foi publicado neste jornal ("O que funciona na educação", Folha, 28/10/07).Para os céticos a respeito do papel da qualidade dos professores e da gestão, lamento dizer que os fatos não estão a seu favor. Ao examinar a situação de vários países, aquela consultoria concluiu que o montante de recursos destinados à educação não é o fator principal. O que pesa mesmo são professores bem preparados e altamente comprometidos com a educação das crianças, junto com os diretores das escolas. Quando os alunos não vão bem, diretores e professores fazem uma intervenção é imediata, com aulas de reforços ministradas pelos melhores professores.

As provas apresentadas são inquestionáveis. Alunos de capacitação média, quando ensinados pelos professores que estão entre os 20% mais competentes, terminam entre os 10% de estudantes de melhor desempenho. Quando são ensinados pelos professores que estão entre os 20% mais fracos, os alunos terminam entre os 10% de pior desempenho.

Os países que têm mais sucesso ensinam os professores continuamente. Em todos os países de sucesso, os professores têm um dia livre para se aperfeiçoar e para visitar colegas de outras escolas com quem discutem métodos de ensino e planejam juntos. Máxima atenção é dada ao processo de avaliação de alunos e de professores.

E tudo isso é minuciosamente sincronizado pelos diretores das escolas que atuam como verdadeiros maestros no sentido de selecionar os melhores mestres, ensiná-los o tempo todo, levar adiante as melhores práticas e acudir os alunos mais necessitados. Países como a Finlândia, por exemplo, possui um grande número e professores para atender os retardatários. Cingapura dá aulas extraordinárias a 20% dos alunos. O mesmo ocorre com a Coréia do Sul e a Nova Zelândia. Todos esses países investem em educação muito menos do que as nações ricas que estão em pior situação. É um assunto para pensar. Ou seja, trabalho bem feito conta, e conta muito.

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