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Financês

Inflação? Passou...

Sempre que se faz uma pesquisa ou mesmo uma enquete informal com leitores de jornal uma observação que aparece é a de que os veículos de comunicação não dão prosseguimento a assuntos que, muitas vezes, tiveram grande destaque em suas páginas. Isso não vale só para os jornais, mas também para revistas, rádios, emissoras de tevê... O leitor/ouvinte/telespectador acha que os temas caem no esquecimento tão rápido quanto surgem.

Outra crítica é de que jornalista só gosta de notícia ruim. Coisa ruim vira manchete, dizem, notícia boa aparece no pé da página.

Sendo assim, me sinto obrigado a voltar a um assunto que foi mencionado seis vezes nesta coluna desde que ela começou a ser publicada, no fim de abril: a inflação. Falamos muito nela quando ela subia, e agora é tempo de mostrar a boa notícia – ela recuou.

A notícia é velha, de quinta-feira passada, mas precisa ser repisada para que não fique aquela impressão de que não se deu a ela a devida importância. O IPCA nacional ficou em 0,28%. Em Curitiba, foi negativo em 0,22% – ou seja, apresentou deflação. Os vilões do passado cederam: o preço do feijão preto caiu 5% e o do tomate – ah! o tomate, que até junho acumulava alta de quase 120%! – desabou 27,8%. E isso só em agosto!

Boa parte da responsabilidade por esse recuo é do consumidor, que não aceitou as altas e forçou o varejo a brigar por preços. Um trabalho que, é bom que se diga, ainda não terminou. Os preços de alimentos em Curitiba ainda acumulam alta de 11,12% pelo IPCA, a maior entre as 11 cidades pesquisadas. A queda nesse segmento foi de 0,24% em agosto.

Hoje tem feirão?

As montadoras não estão ficando boazinhas. Elas estão dando desconto, fazendo feirão, negociando de todo jeito porque estão com um problemão no pátio. A tabela mostra a evolução da produção de veículos e do licenciamento de carros novos pelos Detrans do país – este último representa as vendas ao consumidor. Vinha tudo muito bem para as fábricas até o mês passado, quando o número de licenciamentos caiu 15%. Em maio também havia ocorrido um recuo, mas aquele mês teve dois feriados, e isso significa um número menor de dias úteis – menos vendas, menos produção e menos emplacamentos, portanto.

Os analistas associam a queda nas vendas ao aumento dos juros, mas pode ser que haja um pouco mais do que isso – a sensação de que a inflação voltou, por exemplo, influencia a decisão de compras de maior valor ou feitas num prazo longo, como a de um automóvel.

As montadoras já esperavam vender menos, tanto que pisaram no freio e produziram 3 mil carros a menos no mês passado. Mas o descompasso ficou grande demais. Aí não tem outra saída: tem de vender.

Só não se entusiasme demais: publicidade custa caro, assim como o aluguel de estacionamentos e outras áreas usadas para os feirões. Esse dinheiro tem de sair de algum lugar, e duvido que seja do lucro do vendedor.

Semântica

Porque é que as montadoras e concessionárias usam a palavra "bônus" quando reduzem os preços em relação à tabela? Segundo os dicionários, bônus é um prêmio em espécie concedido em determinadas situações – ou seja, é quando dão dinheiro para a gente. Desconto é a palavra correta para os casos em que uma empresa ou pessoa cobra menos do que poderia por um bem ou serviço. Será uma tentativa de dar ao cliente a sensação de que está tendo um benefício maior do que o real?

Cartas

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