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Míriam Leitão

Conta em aberto

  • PorCom Leonardo Zanelli
  • 22/09/2008 21:50
Ações de despejo nos EUA |
Ações de despejo nos EUA| Foto:

O Partido Democrata fez exigências razoáveis para aprovar o pacotão de salvamento, uma delas a de um plano de ajuda ao pagamento de hipotecas. Só de janeiro a agosto houve 1 milhão 694 mil ordens de despejo. Mas já se fala em aumento do custo total do pacote, que pode chegar até a US$ 1 trilhão. Na verdade, o quanto de dinheiro é suficiente para socorrer os bancos americanos ninguém sabe.

O ex-presidente do BC e ex-vice-presidente do Morgan Stanley, Francisco Gros, acha que dificilmente se pode calcular, de antemão, quanto dinheiro será necessário para o saneamento do sistema.

– Os mercados são hipertrofiados, muito maiores do que o governo. O sistema trabalha todo alavancado. Como desfazer isso? Quanto é o suficiente? Ninguém sabe ao certo – diz Gros, hoje vice-presidente do OGX.

Mesmo que a conta fique no exato volume calculado pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, o governo Bush achava mesmo que poderia, a um mês e pouco das eleições, pedir ao Congresso um cheque de US$ 700 bi para dar a instituições financeiras, sem qualquer projeto de ajuda a quem não consegue pagar a hipoteca, sem qualquer plano de incentivo econômico, sem prestar contas do uso do dinheiro?

Ontem, diante da barragem feita pelos democratas, o governo Bush passou a aceitar mudanças no projeto. Uma mudança muito bem-vinda é a de ter uma agência independente de supervisão. A crise, que agora ficou aguda para o mercado financeiro, tem sido há vários meses devastadora para os americanos que não conseguiram pagar as prestações dos seus imóveis. Lá, o processo de retomada do imóvel é rápido e indiscutível. Só em agosto, perderam suas casas 303,8 mil famílias, 20,7% mais do que em agosto do ano passado e 11,6% mais que em julho.

Veja o gráfico acima, nos dados consolidados do site imobiliário Realty Tracking trimestre a trimestre. Os democratas querem também um limite para os supersalários dos executivos dos bancos atendidos. O presidente do FED, Ben Bernanke, chegou a dizer que isso poderia desestimular a adesão ao plano. Ora, ou a crise é grave, e esta é a única saída, ou há solução privada para o problema, a ponto de os executivos decidirem com olho nos seus salários.

Os EUA têm 8.500 bancos. Perguntaram ao presidente do Bank of America, Ken Lewis, quantos bancos sobrariam ao fim da atual crise. Ele disse que uns quatro mil. Isso significa que mais de quatro mil bancos podem desaparecer. Pela conta do historiador Niall Ferguson, num artigo no Financial Times e que acaba de escrever um livro sobre história monetária: 11 mil bancos fecharam as portas entre 1928 e 1933, na Grande Depressão. A partir dessa crise, o setor bancário passará por profundas transformações nos EUA, reduzindo essa excessiva pulverização. Ao contrário do setor bancário brasileiro, concentrado, o americano comporta bancos pequenos, regionais. Outra mudança radical é o fim da era dos bancos de investimentos. O pedido de Goldman Sachs e Morgan Stanley, de deixarem de ser bancos de investimento, marca o fim dessa era. Eles não vão se transformar imediatamente em bancos de varejo, nem têm rede de agências para isso, mas o modelo de business de investimento morreu.

– Os bancos de investimento não tinham que seguir as regras prudenciais, como as regras de Basiléia, tinham muito mais liberdade e não tinham limites de alavancagem. Em compensação, não tinham acesso à janela do redesconto do Banco Central. Eles trabalhavam com níel de capital mínimo e alavancagem máxima. Voavam no trapézio sem rede de proteção. Mas quando o FED socorreu a operação do Bear Stearns, essa regra foi quebrada. Um dos fundos do Bear Stearns tinha alavancagem de 32. Isso significa que, para cada dólar de capital, eles tomaram emprestado US$ 32 – diz Gros.

A recessão está começando neste trimestre. As vendas de veículos voltaram a níveis de 2001, as do varejo e a produção industrial estão negativas em dados anualizados, o desemprego está crescendo. A recessão chegou a alguns países desenvolvidos e em desenvolvimento. Como disse Niall Ferguson, brincando com a frase de Alan Greenspan de que um evento assim só acontece uma vez a cada 100 anos, "o consolo é pensar que o mundo não terá que passar de novo por isso em mais um século".

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