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Sindicalista faz piquete diante da unidade do HSBC na Vila Hauer, em Curitiba: grevistas esperam adesão maior hoje | Daniel Castellano/ Gazeta do Povo
Sindicalista faz piquete diante da unidade do HSBC na Vila Hauer, em Curitiba: grevistas esperam adesão maior hoje| Foto: Daniel Castellano/ Gazeta do Povo

No bolso

Agência fechada já não é desculpa

Franco Iacomini, colunista de Finanças Pessoais

Há um paradoxo na economia brasileira atual. Nosso relacionamento com os bancos nunca foi tão intenso – a quantidade de pessoas com conta bancária é a maior da história, o nível de crédito à pessoa física bate recordes, e provavelmente a maior parte das contas que o leitor paga foi emitida na forma de boleto. Mas a dependência da agência bancária nunca foi tão pequena. Muito poucas operações bancárias exigem a presença do correntista. Quase tudo pode ser autorizado ou realizado pelo telefone, em quiosques de autoatendimento ou pela internet.

Essa característica faz com que o impacto de um movimento como o dos bancários seja bem menor que no passado. Em consequência, o cidadão não pode usar a greve como justificativa para o atraso de um pagamento.

Com greve ou sem greve, quem atrasar perde desconto, paga a tal multa de 2% e os juros, quando for o caso. Para quem não está acostumado com os meios tecnológicos de pagamento, quitar boletos dessa forma pode até dar um pouco mais de trabalho. Mas vai sair mais barato, com certeza.

Alternativas

Veja como fica o serviço bancário com a greve:

Agências

Seguem fechadas por tempo indeterminado, enquanto durar a greve. Com isso, fica impossível pagar contas na boca do caixa, fazer saques acima de R$ 1 mil e compensações de cheques.

Caixas automáticos

Continuam funcionando normalmente os serviços de saque, depósito e pagamento de contas com código de barras. Os saques não serão interrompidos porque o abastecimento de cédulas é feito pelos vigilantes bancários.

Home Banking

Os serviços pela internet continuam normais. É possível, de acordo com a disponibilidade de cada banco, realizar empréstimos, tirar extratos, fazer investimentos, realizar pagamentos de contas e transferir valores.

Paralisações simultâneas

Correios e funcionários voltam a negociar hoje

A greve dos Correios entra hoje no 15º dia sem definições sobre o término da paralisação. Ontem, sindicalistas e dirigentes da empresa se reuniram durante seis horas, mas a resposta que os trabalhadores tiveram é que os Correios não têm recurso para dar o aumento. Hoje pela manhã as negociações serão retomadas em Brasília entre a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares (Fentec) e os dirigentes da empresa.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores nos Correios do Paraná (Sintcom-PR), a proposta dos trabalhadores já foi reduzida para facilitar a negociação. O aumento de R$ 400 linear foi rebaixado para R$ 200, e o valor pedido para o vale-alimentação passou de R$ 30 ao dia para R$ 28 ao dia. Entretanto, eles seguem reivindicando 24% de aumento, referentes às perdas salariais desde 1994, e elevação do piso da categoria para R$ 1,6 mil. (JPS)

Quem tem conta para pagar nos próximos dias e não encontra uma agência bancária aberta tem poucas alternativas para contornar os transtornos decorrentes da greve dos bancários, que começou ontem em todo o país. Algumas empresas postergaram a data de vencimento por causa da paralisação e enviaram uma segunda via, com nova data de vencimento, a seus clientes. No entanto, isso depende da "generosidade" da empresa – não se deve assumir que todo vencimento será adiado automaticamente apenas por causa da greve.

O Procon-PR orienta os consumidores para que utilizem meios alternativos, como casas lotéricas, correspondentes bancários (como farmácias e supermercados), caixas eletrônicos, internet e o próprio fornecedor para não terem problemas. "O consumidor não pode ser lesado por causa das greves. O fornecedor precisa dar acesso à segunda via da conta, seja pela internet ou por telefone. Caso o consumidor venha a pagar juros ou multa pelo atraso, é a empresa que precisa provar que ele tinha acesso a outro meio", explica a advogada do Procon-PR Cila dos Santos.

A melhor saída para o consumidor é procurar a empresa para analisar as possibilidades de pagamento e, se não houver outro meio, negociar o adiamento do vencimento. Ao entrar em contato com a empresa, a dica é pegar o protocolo ou até mesmo gravar a ligação – caso o fornecedor não ofereça alternativa para o pagamento, o consumidor poderá comprovar que houve boa-fé de sua parte na procura de opções para quitar a dívida, não podendo, desta forma, haver juros ou multa.

Nome sujo

Esperar as greves acabarem para colocar as contas em dia é arriscado: o consumidor poderá ter de arcar com juros de mora e multa pelo atraso no pagamento da fatura, e até ter seu nome incluído no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC). Por isso, o Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região Metropolitana recomenda a utilização dos caixas automáticos (veja nesta página que serviços estão disponíveis aos clientes).

Ao longo do dia de ontem, leitores relataram problemas por causa das greves no site da Gazeta do Povo. A leitora Anine Suellen contou que não tem como acessar a conta bancária por falta de cartões. "Solicitei a segunda via de cartão de débito e crédito. O de crédito foi enviado pelos Correios, mas não chegou por causa da greve. O de débito seria enviado para minha agência, que agora está em greve também. No momento estou sem cartão algum e não posso nem movimentar minha conta", lamentou. O Sindicato dos Bancários explicou que, se a agência em que se deve retirar o cartão estiver fechada, há a possibilidade de tentar entrar em contato com o gerente da conta, que pode ajudar a resolver o problema – caso ele atenda ao telefone. Do contrário, segundo a assessoria do sindicato, não há o que ser feito.

A advogada do Procon-PR informa que, caso o consumidor não consiga ter acesso a um serviço essencial e não possa esperar pela reabertura das agências, pode recorrer à Justiça comum. "Ele pode pedir uma liminar para ter acesso ao serviço. Pode também ir ao Procon para documentar que está sofrendo um prejuízo irreparável, e que não pode esperar o fim da greve", explica Cila.

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Interatividade:

Que transtornos a greve dos bancários, que coincide com a dos Correios, está causando no seu dia a dia?

Escreva para leitor@gazetadopovo.com.br

As cartas selecionadas serão publicadas na Coluna do Leitor.

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