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Com empreiteiras em crise, fundos de investimento tendem a arrematar leilões de infraestrutura

Grupos nacionais e estrangeiros já dispõem de US$ 5 bilhões em caixa para investir na área, antes dominada pelas construtoras que foram atingidas pela Lava Jato

    • Agência O Globo
    • 13/06/2016 15:39
    Setor portuário deve ser uma das áreas a participarem da nova  rodada de leilões. | Hugo Harada/Gazeta do Povo
    Setor portuário deve ser uma das áreas a participarem da nova rodada de leilões.| Foto: Hugo Harada/Gazeta do Povo

    Com a crise econômica e o baque das investigações da Operação Lava Jato sobre as grandes empreiteiras do país, o setor de infraestrutura espera uma drástica mudança na composição dos consórcios que disputarão os projetos que devem ser licitados pelo governo, tão logo o ambiente político se estabilize. As grandes empreiteiras tendem a deixar de ser as protagonistas nesses processos, dando lugar aos fundos de investimento e de private equity.

    Fundos nacionais como o Pátria Investimentos e Vinci Partners, a americana Hamilton Lane e a australiana Macquaire são alguns dos grandes gestores de recursos que já se movimentam para disputar os novos projetos de infraestrutura que serão concedidos. Juntos, esses grupos já dispõem de pelo menos US$ 5 bilhões (cerca de R$ 18 bilhões) em caixa para aplicar em novas concessões de infraesturura.

    Venilton Tadini, presidente executivo da Abdib, associação que reúne as indústrias de base e infraestrutura, confirma a crescente importância dos fundos de investimentos e de private equity para destravar o novo ciclo de privatizações no setor.

    Momento de transição

    Tanto é assim que, conta ele, um fundo exclusivo de infraestrutura foi criado recentemente pelo Pátria Investimentos. Rapidamente, esse fundo captou US$ 2 bilhões e tornou-se um associado da Abdib. “A entrada forte dos fundos nos projetos de infraestrutura ocorreria em algum momento, porque é uma tendência global. Mas a Lava Jato está precipitando essa mudança. Esse é um momento de transição”, diz Tadini.

    A Vinci Partnes também constituiu um novo fundo focado em infraestrutura. Ainda em fase de capitalização, esse fundo já conta com US$ 700 milhões em caixa. José Guilherme Souza, sócio da Vinci, diz que a crise nas construtoras está abrindo “uma oportunidade de investimentos em infraestrutura sem precedentes”. Ele conta ainda que está trabalhando com um grupo europeu que tem interesse específico em disputar novas concessões de aeroportos aqui. “São ativos de infraestrutura de alta qualidade, que terão bom retorno”, observa Souza, revelando que, além dos aeroportos, a gestora também olha com atenção oportunidades no setor de energia.

    A gestora global de private equity Hamilton Lane, que administra US$ 260 bilhões em seu portfólio e mantém escritório no Rio, também está avaliando os projetos de energia e aeroportos em elaboração no governo. Segundo Ricardo Fernandez, diretor executivo para América Latina da Hamilton, a gestora está “monitorando muito de perto o setor de infraestrutura brasileiro”.

    A companhia considera haver uma oportunidade “enorme para fundos que têm capacidade de investir nos ativos” de elevado valor. Fontes do mercado afirmam que a gestora já teria reservado pelo menos US$ 1 bilhão para investir na infraestrutura brasileira nos próximos 12 meses. O executivo, no entanto, não confirma a informação. “Estamos ativamente buscando investimentos em infraestrutura no país.”

    Adriano Pires, presidente do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), conta que ter fundos na liderança de consórcios já é prática em diversos países. E confirma que, na expectativa de uma nova onda de privatização, fundos estrangeiros bem capitalizados de fato se preparam para entrar nas próximas rodadas. Pires cita, por exemplo, o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala, e o canadense Brookfield entre os que avaliam ativamente as oportunidades no país.

    Lá fora, empreiteira não lidera

    A gestora canadense Brookfield, aliás, ofereceu US$ 5,2 bilhões pela Nova Transportadora do Sudeste (NTS), a divisão de operação de oleodutos da Petrobas. Em dois meses, concluída a auditoria para avaliar os ativos e a contabilidade (due diligence) da NTS, o negócios deve ser fechado. “Só no Brasil há essa anomalia de haver construtora como cabeça de consórcio. No mundo todo o fundo é o líder e, depois de vencer o leilão, contrata a construtora que ele julgar interessante para o projeto.”

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