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Aquisições

Comcast faz proposta de US$ 65 bilhões pela Fox — 19% superior à da Disney

A vitória da AT&T na Justiça norte-americana que deu sinal verde para a aquisição da Time Warner abriu caminho para propostas similares, como a da Comcast pela Fox

  • Washington Post
  • Steven Zeitchik
Fachada da sede da 21st Century Fox, em Nova York. | SPENCER PLATT/AFP
Fachada da sede da 21st Century Fox, em Nova York. SPENCER PLATT/AFP
 
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A Comcast fez uma oferta de US$ 65 bilhões pela 21st Century Fox nesta quarta-feira (13), no que deve ser a primeira de muitas tentativas de comprar peças importantes do mundo do entretenimento após a vitória legal decisiva da AT&T sobre o governo dos Estados Unidos pela aquisição da Time Warner.

A oferta cria uma batalha entre duas das empresas de entretenimento mais poderosas e com recursos — a Walt Disney, que fez uma oferta de US$ 52,4 bilhões pela Fox no ano passado, e a Comcast, empresa de TV a cabo que já é dona da Universal Studios e NBC.

É improvável que essas propostas de fusão sejam as últimas a serem anunciadas nos próximos meses, dada a tentativa fracassada do governo de impedir a compra da Time Warner pela AT&T, disseram analistas. As ações das empresas de entretenimento dispararam, com o nervosismo dos investidores com a perspectiva de grandes conglomerados abrindo suas carteiras para comprar estúdios de televisão e de cinema em dificuldades.

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O ímpeto de possuir conteúdo se tornou ainda mais urgente à medida que a tecnologia minou as formas tradicionais pelas quais os consumidores recebiam programas e filmes. Os americanos estão cada vez mais consumindo entretenimento em seus smartphones ou em conexões de internet de alta velocidade, em vez de em TVs conectadas a tomadas de cabo na sala de estar. E a chegada iminente de uma nova tecnologia sem fio ultrarrápida, o 5G, deverá acelerar essa tendência.

Isso colocou as gigantes da TV a cabo, telecomunicações e tecnologia em uma busca urgente por conteúdo de primeira linha que possam controlar, o que as tornaria mais imunes às mudanças tecnológicas. Além da AT&T e da Comcast, Apple, Google e Amazon passaram a produzir ou comprar programação original. Enquanto isso, a Disney planeja lançar um aplicativo de streaming que permitirá atingir os consumidores diretamente e competir com empresas como a Netflix.

“Estamos lidando com grandes empresas que têm valor de mercado maior do que [o PIB de] alguns países”, disse Mary Ann Halford, estrategista de mídia global da OC & C Strategy, sobre as gigantes da tecnologia entrando no entretenimento. “Se as empresas [de entretenimento tradicional] não se impuserem agora, isso poderá ser um golpe de morte para elas, da mesma forma que a mídia digital para uma parte da indústria de jornais impressos”.

Se os movimentos de todas essas empresas nos negócios uns dos outros afetarão o conteúdo em si, é uma dúvida que permanece aberta. Muitos produtores independentes temem que a 21st Century Fox — que produz conteúdo de vanguarda e premiadas, como A Forma da Água, que ganhou o Oscar de melhor filme, e Atlanta, a série independente da FX — sofra alterações nas mãos da Comcast ou da Disney, que têm, ambas, dado mais atenção a grandes franquias cinematográficas em detrimento de mais marginais.

A diretora de cinema da Fox, Stacey Snider, que tem buscado ativamente novos projetos nesse período derradeiro da empresa independente, disse ao Washington Post no início deste ano: “Eu sinto que é o fim de uma era; não tenho certeza de como o estúdio ficará após uma aquisição”.

Algumas empresas têm se preocupado com a intervenção do governo no sentido de bloquear alguns desses acordos, especialmente aqueles entre empresas de diferentes ramos de negócios. Mas tais preocupações estão diminuindo na esteira da vitória da AT&T na Justiça contra os reguladores antitruste. Menos de 24 horas após a decisão, a Comcast anunciou sua oferta pela Fox.

Próximos passos

A batalha com a Disney acontecerá em tempo real na semana que vem, enquanto a Fox se prepara para uma reunião de diretoria, em 20 de junho, na qual a questão será levantada. Uma reunião com os acionistas da 21st Century Fox no dia 10 de julho para discutir as ofertas consolidará ainda mais o destino da empresa.

O acordo original entre a Disney e a Fox, em dezembro de 2017, exigia que a empresa de Rupert Murdoch vendesse muitos de seus ativos à Disney, incluindo seus estúdios de cinema e televisão, a National Geographic, uma participação de 30% no serviço de streaming Hulu e sua participação de 39% na gigante Sky. Muitos analistas esperam agora que a Disney aumente sua oferta.

Mais do que dinheiro distingue as ofertas concorrentes da Comcast e da Disney. Ao adicionar programas como “This Is Us” e franquias de filmes como “Avatar” em seu rico portfólio de filmes, que já conta com a franquia Star Wars e todos os sucessos da Pixar e da Marvel, a Disney conquistaria uma posição de liderança no mundo do entretenimento, permitindo que ditasse os acordos com estúdios e empresas de TV por assinatura a fim de atrair milhões para seu ainda a ser lançado serviço de streaming.

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A Comcast apresenta uma visão diferente da de uma empresa de mídia. Ela se transformou em uma potência, tornando-se o maior provedor de serviços a cabo dos Estados Unidos, e comprou alguns dos conteúdos mais famosos em Hollywood. Em contraste com a Disney, a Comcast informou que pode usar sua expertise em relacionamentos com assinantes e distribuição para aumentar o alcance da Fox.

“Temos uma experiência real com distribuição que pode ser aplicada aos negócios da Fox em todo o mundo”, disse o vice-presidente executivo da Comcast, Steve Burke, em uma conferência na tarde de quarta-feira.

A Comcast deseja mais conteúdo que possa ajudá-la a reforçar seu próprio serviço de streaming — possivelmente via Hulu, no qual teria uma participação majoritária se ganhasse a disputa pela Fox. Também poderia usar algumas franquias de filmes. E precisa urgentemente de uma presença internacional.

“Para a Comcast, esta seria uma vitória importante”, disse Rich Greenfield, analista da BTIG. “É a empresa mais limitada geograficamente. A Fox é a única chance real de ela se tornar uma empresa global”. Também faz parte do acordo a gigante de entretenimento asiática, a Star India, propriedade da Fox.

Murdoch levará muito dinheiro de qualquer forma — ao mesmo tempo em que mantém a Fox News, a rede de televisão Fox e outros ativos não roteirizados que acredita-se que ele preferia. A família Murdoch possui cerca de 17% das ações da Fox.

O que a Fox diz

Fox não deu nenhuma pista de uma possível preferência por sua compradora. Em nota, a empresa disse que “ainda não determinou, à luz da proposta da Comcast, se adiará ou suspenderá a reunião especial de acionistas de 10 de julho de 2018 para considerar certas propostas relacionadas ao Acordo de Incorporação da Disney”. A Disney não respondeu a um pedido de comentário.

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Os mercados se animaram com o que a notícia significou para a Fox, com os investidores elevando as ações da empresa em 7% desde o fechamento do pregão de terça-feira. A Comcast avançou 3%, enquanto a Disney permaneceu estável.

A luta pela Fox iria se desenrolar no maior palco corporativo possível. A Comcast e a Disney são as duas maiores empresas de mídia do país em receita. (A Alphabet, holding do Google, é maior, mas foca fortemente no espaço técnico.) E além de colocar duas gigantes do entretenimento em confronto direto, uma guerra de propostas estabeleceria um reencontro entre o executivo-chefe da Bob Iger e Brian Roberts, CEOs da Disney e Fox, que têm uma relação tensa que remonta a uma tentativa hostil de aquisição da Disney em 2004.

Outros acordos são esperados na sequência da decisão de terça-feira (12), com a Verizon em busca de uma empresa de conteúdo, a Lionsgate em busca de um comprador e qualquer um dos vários cenários que se desenrolam no longo drama da CBS e da Viacom.

Mas o tamanho da Fox (US$ 28,5 bilhões em receita em 2017) e as franquias (que vão de “X-Men” a “Modern Family”) fazem dela um prêmio que nem a Comcast nem a Disney sentem que podem deixar passar. Este é “o último acordo de transformação remanescente na mídia”, escreveu Scott Goldman, analista da Jefferies.

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