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Apenas 3% de todo o lixo produzido pelas milhares de indústrias  brasileiras  são tratados adequadamente e reaproveitados. | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Apenas 3% de todo o lixo produzido pelas milhares de indústrias brasileiras são tratados adequadamente e reaproveitados.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

A VG Resíduos, uma spin-off da consultoria ambiental mineira Verde Ghaia, criada em 1999, chegou ao mercado virtual de vendas em 2016 com a proposta de transformar lixo em lucro para as empresas a partir do gerenciamento dos resíduos, alinhado a normas ambientais e do mercado de resíduos. A startup é um marketplace que oferece sobras de linhas de produção a empresas especializadas na reciclagem desses materiais, além de soluções para facilitar a gestão de processos burocráticos e operacionais.

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O gerenciamento de resíduos é um dos principais desafios das indústrias e, justamente por isso, elas são o carro-chefe da startup. A VG Resíduos tem 2,3 mil clientes em todo o Brasil, entre os quais, Cargill, Bombril e Usiminas, e agrega uma média de 20 novos à carteira a cada mês. Somente na plataforma de comercialização, são registradas cerca de 10 mil consultas diárias, em média.

Na prática, o ambiente conecta geradores de resíduos aos principais tratadores e fornecedores brasileiros. As empresas cadastram qual é o resíduo e qual a quantidade produzida. Tratadores de todo o país podem fazer ofertas de tratamento ou compra dos resíduos. De forma automatizada, o sistema seleciona a melhor proposta, como em um leilão.

A ideia surgiu da demanda por um direcionamento mais acertado do lixo gerado pelas milhares de indústrias brasileiras. Apenas 3% do total é tratado e reaproveitado, o que representa um volume de R$ 8 bilhões sendo administrados de forma inadequada, aponta Deivison Pedroza, um dos sócios da VG Resíduos.

“Tem-se a geração de grande volume de resíduos e não necessariamente boas soluções para seu gerenciamento, que torna-se muito cara pelos custos de logística e destinação, o que inviabiliza o processo de tratamento. Nossa maior característica, que nos faz ganhar destaque no mercado, é a capacidade de unir as pontas do processo, gerador e tratador, de forma inteligente, sem intermediários”, afirma o executivo.

Atualmente, o marketplace administra aproximadamente R$ 200 milhões ao mês em volume de resíduos sólidos. São ao menos 350 tipos e mais de 2 mil ofertas cadastradas em diferentes categorias. Somente de plástico e papelão são mais de 100 mil toneladas por mês. Tem ainda lâmpada, borracha, metal, pilha, vidro, bateria, óleo e estopa contaminada, entre outros materiais, que antes eram descartados de forma inadequada, gerando consequências graves ao meio ambiente.

O programa permite que as empresas otimizem suas receitas em cerca de 25%, estima Pedroza, além de evitar passivos ambientais ao cumprir a legislação referente à destinação ambientalmente adequada dos resíduos. Para usar a plataforma, as empresas geradoras pagam R$ 690 mensais por ponto de coleta. Aos que fazem o reaproveitamento dos materiais, o uso da plataforma é gratuito.

Startup vai abrir filial nos EUA

A comercialização e gestão de resíduos sólidos rendeu um faturamento de R$ 3,5 milhões para a VG Resíduos em 2017. A startup prevê um crescimento de 40% em 2018, chegando próximo dos R$ 5 milhões. Dentro dos planos de expansão, a empresa entrará em breve no mercado internacional, com uma filial em Atlanta, nos Estados Unidos.

“O país tem um processo de industrialização mais forte e organizado, é uma região que já tem vocação para o gerenciamento de resíduos e não seremos os primeiros. A diferença é que estamos entrando com um modelo mais inovador, com inteligência artificial, para automatizar as análises de gestão de resíduos.”

Os sócios da VG Resíduos: Luiz Guilherme Arruda, Deivison Pedroza e Guilherme Gusman.Divulgação

Empresa está no ranking 100 Open Startups desde o ano passado

O modelo de negócio rendeu à VG Resíduos o primeiro lugar na categoria Environmental (Meio Ambiente) no ranking das 100 Open Startups, mantendo-se na lista pelo segundo ano, e classificação para a 5.ª rodada de aceleração da Seed – Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development, programa para empreendedores do mundo todo que queiram desenvolver negócios em Minas Gerais. A empresa está entre as selecionadas pela terceira vez consecutiva.

“Nosso negócio é uma inovação entre as startups de tecnologias voltadas ao meio ambiente. O lixo que se jogava fora começa a ser visto como oportunidade de receita”, diz Pedroza.

A empresa está ainda entre as 15 selecionadas para o StartOut Brasil, que acontece em Miami de 9 a 14 de setembro. O projeto apoia a inserção de startups brasileiras nos mercados de inovação do mundo. As classificadas serão apresentadas a investidores, empresas e potenciais parceiros dos Estados Unidos nos próximos dias, um incentivo a mais aos negócios da VG Resíduos em terras norte-americanas.

“Com a inserção no programa, podemos encontrar, além de potenciais investidores que facilitem uma entrada mais rápida no país, clientes que possam gerar negócios imediatos”, comenta o CEO da startup mineira, Guilherme Arruda. Segundo o executivo, Miami é um mercado que está em crescimento no ramo da construção civil e tem uma necessidade crescente em gerenciamento dos resíduos produzidos pelas empresas.

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