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Finanças pessoais

Como fica a sua conta bancária

O resumo da ópera é simples: chega de oba-oba. Crédito agora é para quem precisa, e não para quem quer consumir. De fato, o que acontece em Wall Street vai ter reflexos, sim, em terras e contas bancárias tupiniquins, e mesmo o corriqueiro cheque especial pode ser uma armadilha a serviço da crise para o consumidor mais afoito. Abaixo, estão seis dicas para contornar esse momento de turbulência. Aos que ainda não assumiram dívidas, eis a cláusula pétrea: esperem o vendaval passar.

Investimentos

Como estão, ficam. O conselho para quem tem algum dinheiro aplicado, seja em fundos de renda fixa, poupança ou ações, é não mexer em nada, e resistir à tentação de pular de galho em galho em busca de melhores rendimentos. O mais recomendado ainda é esperar a poeira baixar. Para quem tiver sangue frio, o momento é ideal para investir na bolsa, já que as ações estão bem baratas – mas o lucro só virá a longo prazo, daqui a três anos ou mais. Quem preferir uma opção menos aventureira pode apostar no Certificado de Depósito Bancário (CDB), a atual vedete do mercado – desde que seja de bancos sólidos, menos suscetíveis à crise. A renda fixa, de maneira geral, é uma opção segura e rentável, por conta dos juros altos que prometem dominar os meses pós-crise.

Imóveis

Quem, na onda imobiliária dos últimos meses, assumiu um financiamento de um imóvel deve apertar os cintos: por serem atreladas a índices flutuantes, as prestações da casa própria tendem a aumentar nos próximos meses, já que os juros, em momento de crise, também aumentam. Para quem estava prestes a assinar o contrato, ainda vale o alerta: a dica dos especialistas é não embarcar em financiamentos a essa altura do campeonato, já que as condições de crédito vão ficar mais apertadas. Mas não é o fim do mundo. O consórcio, que não teve mudanças sensíveis, e o aluguel, que deve ser barateado num curto prazo pela maior dificuldade de venda de imóveis, são ainda boas opções. Há quem faça a previsão, ainda, de que os preços vão ficar menores num médio prazo, pela diminuição da demanda por imóveis. Quem puder esperar pode sair em vantagem.

Dívidas

Não é hora de fazê-las. Neste momento, quanto mais precavido for o consumidor, melhor, já que os juros devem subir, as condições para pagamento vão ficar mais difíceis e quaisquer R$100 no negativo podem ser o início de uma bola de neve. Quem tiver histórico de inadimplência corre o risco de não conseguir um financiamento importante no momento em que precisar, como o da casa ou do carro. É hora de acumular recursos. Se o empréstimo for inevitável, o indicado é fugir do cheque especial e buscar o crédito consignado, ou fazer uma boa pesquisa. Quem conseguir taxas de pelo menos 3% ao mês já pode se considerar vitorioso.

Viagens

Adeus, férias em Paris. O preço das viagens internacionais acompanhou a alta do dólar e subiu até 30%, o que assustou quem planejava passar o fim do ano fora do país. O turista que não estiver disposto a bancar a diferença pode optar pela segurança de um roteiro nacional. Para quem, no entanto, já estiver de assento reservado, hotel pago e pacote financiado, a dica é controlar os gastos lá fora. Nas semanas precedentes à viagem, o turista tem de acompanhar a cotação e aproveitar a baixa das moedas para comprar dólares ou euros, já que a volatilidade do câmbio deve ser uma tendência nos próximos meses. A melhor opção é aplicar o dinheiro estrangeiro em travelers cheques, cartões de débito pré-pagos ou fundos cambiais. Há que aposte que, se a demanda pelos roteiros internacionais cair muito nas próximas semanas, pode haver promoções no final do ano – mas esse ainda é apenas um palpite.

Automóveis

A parcelas pré-fixadas, o financiamento de um carro novo pode não ser um mau negócio para quem souber administrar a renda mensal. No entanto, assim como no caso dos imóveis, o crédito vai ficar mais apertado e as parcelas devem ser menos numerosas e mais caras. Os carros populares irão voltar a ser a primeira escolha do consumidor, em detrimento de automóveis de alto padrão, que, nos últimos meses, vinham sendo vendidos com boas condições de pagamento. A boa notícia é que alguns especialistas esperam que os preços dos carros diminuam a médio prazo, já que, com a exportação em baixa pela crise nos Estados Unidos, China e Europa, a oferta no mercado interno deve aumentar. Por enquanto, a dica é pechinchar o máximo possível com a concessionária – já que elas também têm medo da crise e querem continuar com os bons resultados de vendas dos últimos meses.

Importados

Aquele notebook dos sonhos pode ficar para depois. Os artigos importados vão ficar mais caros por conta da alta do dólar. Por enquanto, algumas lojas ainda vendem produtos comprados na antiga cotação, mais barata – e quem for logo às compras pode encontrar bons preços. A remarcação, no entanto, deve ocorrer ainda este mês. Lojas que tenham feito seu estoque de Natal antes da crise podem oferecer bons preços no final do ano, mas produtos mais sofisticados, que não existem em estoque, devem inevitavelmente ficar mais caros.

Com a palavra: Participaram dessa reportagem Luiz Afonso Cerqueira, membro do Conselho Consultivo do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-PR); Marcos Crivelaro, professor da Faculdade de Administração Paulista (FIAP) e especialista em finanças pessoais; e Gustavo Cerbasi, consultor em finanças pessoais.

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