Veja a opinião de especialistas e entidades civis ouvidos pelo portal de notícias G1 a respeito da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), colegiado formado pelos diretores e pelo presidente do Banco Central, que subiu os juros em 0,75 ponto percentual nesta quarta-feira (10), de 13% para 13,75% ao ano.
Orlando Diniz, presidente da Fecomercio- RJ
"A Fecomércio-RJ é contra o aumento da taxa básica de juros. Esse novo aperto monetário deveria se basear na redução dos gastos do governo e não pressionar o consumo das famílias, por meio da contenção do crédito, que no Brasil ainda representa apenas 37% do PIB. Não há necessidade de o Banco Central elevar os juros para conter o consumo, em um cenário de arrefecimento da inflação e expansão dos investimentos na produção. Essa trajetória de alta nos juros básicos inibirá o crescimento do país no próximo ano".
Rogério Luiz Buccelli, economista das Faculdades Rio Branco
"Todo o mercado financeiro já estava trabalhando com esse número, não foi nenhuma surpresa para quem acompanha o mercado. Pelo menos no médio prazo deve ter um impacto negativo sobre o crescimento. O que é de estranhar é que ao mesmo tempo em que o BC decide por isso, o Ministério da Fazenda faz uma política fiscal totalmente expansionista, e o BC tenta através dos juros restringir a atividade econômica. Fica provado aí uma disputa de espaço em termos de política econômica".
Artur Henrique, presidente nacional da CUT
O resultado positivo do PIB no primeiro semestre ocorre apesar da fixação do Banco Central e do Copom em querer frear o ritmo de expansão do crescimento e sufocar as possibilidades de um ciclo de desenvolvimento sustentável. Não deixa de ser irônico que o crescimento do PIB não tenha trazido consigo uma explosão inflacionária, contrariando o discurso do Copom".
Alexandre Jorge Chaia, professor de finanças do Ibmec São Paulo
"Anteontem já existia a expectativa do mercado de aumento de 0,75 ponto. O que o Copom fez na verdade foi manter as expectativas sem mudar a trajetória. Se ele mudasse agora, indicaria que estava mudando a política monetária. Eles podem tentar justificar a alta que ainda tem uma expectativa de manutenção de preços elevados. A idéia é não criar expectativas erradas para o mercado".
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp)
"O aumento de hoje, de 0,75 ponto percentual da taxa básica, elevando a Selic para 13,75% ao ano é, antes de tudo, um grave erro. No mesmo dia em que o IBGE informa crescimento de 6,0% do PIB no primeiro semestre de 2008 um ensaio ainda tímido quando olhamos os demais países emergentes , o Banco Central persiste no erro de comprometer o futuro do Brasil".
Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical
"O aumento da taxa Selic determinado pelo Banco Central é desproporcional às expectativas de disparada da taxa inflacionária. É que a subida dos preços das mercadorias foi provocada pela redução da oferta e não pela demanda. Por isso, o aumento do juro básico é colossal, inoportuno e inconveniente".
Elson Teles, economista-chefe da corretora Concórdia
"A nosso ver, ao manter uma postura de política monetária mais austera, o Copom reforça a sinalização aos agentes econômicos de que está plenamente comprometido em buscar a convergência da inflação para a trajetória de metas em 2009. De todo modo, a decisão bastante apertada sinaliza que o Copom já possa voltar para o ritmo de alta de 0,5 ponto percentual na próxima reunião, a ser realizada em outubro".
Abram Szajman, presidente da Fecomercio-SP
"Vemos com preocupações que nem mesmo a rápida desaceleração de preços percebida nas últimas semanas foi capaz de sensibilizar os membros do Copom. Para o Banco Central tudo serve para justificar a alta dos juros, até mesmo a reversão dos preços de commodities internacionais".



