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Cascavel

Consumidor que atrasa pagamento da conta de luz vai parar no SCPC/Seproc

Projeto piloto é testado em Cascavel e poderá ser implantado no estado inteiro. Quem não pagar a fatura em dia vai receber uma carta e poderá ficar na lista dos inadimplentes

Os moradores de Cascavel, no Oeste do estado, que atrasarem o pagamento da conta de luz podem ter o nome incluído no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC/Seproc) da Associação Comercial do Paraná (ACP). Um projeto piloto da Companhia Paranaense de Energia (Copel) há 40 dias funciona na cidade. O sistema será avaliado em mais 50 dias e dependendo dos resultados será implantado no estado inteiro. Cascavel foi a cidade escolhida para o projeto por representar uma boa amostragem dos consumidores paranaenses, segundo a companhia de energia.

O objetivo da Copel é reduzir o índice de inadimplência e também diminuir os gastos com o corte e religamento de energia para os consumidores que deixam de pagar as faturas. Segundo o diretor financeiro da Copel, Paulo Roberto Trompczynski, a companhia paranaense é uma das poucas das companhias energéticas brasileiras que não adotavam essa prática de colocar o nome dos devedores em sistemas de restrição de crédito.

"A Copel visa no primeiro momento reduzir o índice de inadimplência e em segundo lugar evitar a medida drástica de fazer o desligamento da energia para o consumidor que não pagou a fatura", explicou Trompczynski. A partir do 31.º após o vencimento da fatura acontece o desligamento da energia do consumidor. De acordo com o diretor financeiro, os avisos de atraso mandados nas próprias faturas às vezes não chamam a atenção do consumidor.

"O que muda com o projeto é que o consumidor terá mais uma chance antes do desligamento", afirmou Trompczynski. Em Cascavel, onde o projeto é testado, foi feito um contrato da Copel com a Associação Comercial do Paraná para que a partir do 31.º dia do não pagamento da fatura de luz a companhia vai encaminhar o nome do consumidor para o SCPC/Seproc.

O diretor explica que a Associação Comercial não vai incluir imediatamente o nome da pessoa no cadastro de devedores. O SCPC/Seproc vai encaminhar uma carta ao consumidor avisando que o nome dele pode ser incluído, caso a conta não seja paga. "Esperamos que com isso o consumidor pague a tarifa e evite o corte de luz", disse Trompczynski.

Caso a pessoa ignore a carta do SCPC/Seproc e não pague a conta, depois de uma semana ou no máximo dez dias ela será incluída no cadastro do SCPC/Seproc. "Quando isso acontece, de o cliente ser ‘seprocado’, a Copel vai até a residência e faz o corte. Em média, o consumidor vai ganhar 15 dias antes de ter a energia desligada".

Gastos

Um levantamento feito pela Copel aponta que aproximadamente 85% dos consumidores, que têm a energia cortada por falta de pagamento, regularizam a situação financeira em 24 horas após o desligamento. "A pessoa sabe que atrasou, mas acaba esquecendo. Essa carta do SCPC vai alertar o consumidor e evitar o constrangimento do corte de energia", disse o diretor financeiro.

A Copel afirma que o custo de corte e religação de energia em média é de R$ 32 por consumidor. "Esse custo não pode ser repassado para a pessoa que atrasa. Apenas 12% desse valor é repassado, o resto é prejuízo para a Copel", afirmou Trompczynski. Dos 3 milhões e 550 mil consumidores que a companhia atende no estado inteiro, por mês, cerca de 1 milhão paga fora do prazo da fatura. Destes, o corte atinge 330 mil. A despesa da Copel fica em torno de R$ 10 milhões por mês só com o corte e religamento da energia.

"Isso gera um encarecimento da tarifa para todos os consumidores. Nesses 40 dias em Cascavel houve uma redução de 30% nos cortes de energia. Já é um resultado positivo", explicou o diretor. Um sistema de informática foi desenvolvido pela Copel para interligar os dados da companhia com a Associação Comercial.

"É um sistema ágil. Assim que a pessoa quitar a dívida, o nome dela é liberado do SCPC. A restrição de crédito financeiro é liberada na hora. O religamento da energia não pode passar 36 horas após o pagamento. A ideia não é constranger o consumidor e sim dar mais uma chance antes do desligamento, além de tentar reduzir os custos da Copel", definiu Trompczynski.

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