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Serviço postal

Correios correm risco se governo não cobrir prejuízos, avalia TCU

Órgão vê dificuldades em manter universalidade postal sem mecanismo de compensação.
Órgão vê dificuldades em manter universalidade postal sem mecanismo de compensação. (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

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O Tribunal de Contas da União (TCU) advertiu o governo federal que, sem mecanismos de compensação de custos, a obrigação dos Correios de prover o serviço postal em todo o país pode colocar em risco a própria sobrevivência financeira da estatal. Uma recomendação com apontamentos da auditoria foi aprovada na sessão desta quarta-feira (22).

A análise encontrou uma incompatibilidade entre o que exige a Constituição e a realidade fiscal. A universalização exige que os serviços dos Correios ocorram em todo o país, ignorando diferenças na relação entre custo operacional e lucro em cada região.

Para o TCU, essa política, que tem o objetivo de compensar desigualdades, não funciona se apenas a estatal arca com as despesas. Isso explica, para o órgão, a necessidade constante de pedidos de empréstimo. Em dezembro de 2025, a empresa contratou um crédito de R$ 12 bilhões para lidar com o endividamento. Em fevereiro, precisou pedir aval para pegar mais R$ 8 bilhões emprestados.

"A estrutura de custos da política revela‑se altamente rígida e intensiva em gastos fixos, especialmente com pessoal e despesas corporativas, o que limita sua capacidade de ajuste frente à queda estrutural da demanda postal", complementa.

Os Correios enfrentam uma trajetória desafiadora após, em 2021, atingirem o lucro histórico de R$ 3,7 bilhões, puxado pelo crescimento do setor de encomendas durante a pandemia de Covid-19. No ano seguinte, já começaria o ciclo de rombos que atingiu, em 2025, R$ 8,5 bilhões.

Com o desempenho, a estatal executa um plano de restruturação que envolve, além dos empréstimos, planos de demissão voluntária com expectativa de atingir 15 mil funcionários até 2027.

O TCU sugeriu que a ineficiência operacional seja mensurada com critérios mais objetivos, com a divulgação transparente dos indicadores. Parte dessa nova formatação incluiria um relatório sobre o desempenho, os custos e o impacto social da universalização, focado na compreensão por parte do público em geral.

Leia o acórdão na íntegra.

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