A alta dos preços está surpreendendo quem procura apartamento para comprar em Curitiba. O administrador de empresas Rodrigo Ribeiro, que começou a procurar um imóvel para comprar há cinco anos, diz que os preços do mercado deram um salto. "Paguei cerca de 20% mais do que o planejado", diz ele, que em março adquiriu, junto com a esposa, um apartamento de R$ 400 mil no Bigorrilho. A primeira opção era comprar um imóvel novo, mas ele acabou optando por um usado. "O usado também subiu muito, mas compramos um com o dobro da área por metade do preço de um novo. Mas ainda assim, eu, que morava de aluguel, dobrei os meus custos com moradia", diz. Ele financiou o apartamento, de 120 metros quadrados, em 360 meses.
Moradora de Curitiba há sete anos, a professora Maria Rosildes Leite também está contando os dias para deixar o aluguel: mesmo com a alta do mercado, adquiriu na planta juntamente com sua filha dois apartamentos no Ecoville. "Não foi barato", diz ela, que estudou a compra por um ano antes de assinar contrato. "Eu consegui aproveitar uma sequência de oportunidades: recebi uma proposta boa, em um local bom, e vou poder morar próximo da minha filha. No fundo foi uma decisão familiar", diz.
Os dois apartamentos, vizinhos de bloco no mesmo condomínio, estavam orçados, juntos, em R$ 810 mil. Com a negociação conjunta, fecharam em aproximadamente R$ 715 mil um desconto de quase 12% no preço original. "Estudamos as propostas, as taxas de juros menos exorbitantes também ajudaram, e acabamos fechando", avalia.
A perspectiva de valorização dos preços no médio prazo, por outro lado, trouxe de volta para esse mercado o investidor que compra para alugar ou revender. A redução da taxa de juros e as perdas nas bolsas de valores provocadas pela crise também fizeram com que o imóvel voltasse a ser atrativo para esse público. Gustavo Schier Rosalinski, que acaba de comprar um imóvel de R$ 600 mil no bairro Água Verde, diz que achou caro o valor, mas a remuneração vale a pena. "Paguei, à vista, cerca de R$ 2 mil o metro quadrado. Quando ficar pronto ele vai valer R$ 2,7 mil", afirma. "Além disso, consegui negociar um desconto para pagamento à vista".
Segundo o presidente do Sinduscon-PR, Hamilton Franck, o preço de venda dos imóveis prontos está em média 25% superior aos de lançamento, o que deve favorecer a opção do imóvel como investimento. Esse movimento também deve ganhar força com a poupança se tornando menos atrativa com as novas regras que o governo pretende adotar para o setor, afirma o presidente do Sindicato da Habitação e Condomínios do Paraná (Secovi-PR), Luiz Carlos Borges da Silva.







