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Crise devasta sistema público de saúde da Grécia

Na sexta-feira, gregos voltaram às ruas para protestar contra cortes de gastos | Yiorgos Karahalis/Reuters
Na sexta-feira, gregos voltaram às ruas para protestar contra cortes de gastos (Foto: Yiorgos Karahalis/Reuters)

Perama, Grécia - A clínica gratuita daqui abriu cerca de um ano atrás, para servir imigrantes ilegais. Porém, hoje em dia está atendendo sobretudo gregos, como Vassiliki Ragamb, que estava sentada na sala de espera na esperança de conseguir insulina para seu filho diabético.

Quatro dias antes, seu estoque de insulina tinha se esgotado e, sem seguro nem condições de pagar por mais frascos, ela tinha ido de farmácia em farmácia, pedindo pelo menos o suficiente para alguns dias. Levou três horas para encontrar um farmacêutico disposto a ajudar. "Eu tentei um monte de farmácias", disse ela, olhando para o chão.

A Grécia costumava ter um amplo sistema de saúde pública, que praticamente garantia que todo mundo tivesse cobertura para todo e qualquer tipo de problema. Porém, nos últimos dois anos, os credores do país impuseram uma redução drástica nos gastos, com o objetivo de conter o déficit. Essas medidas estão afetando brutalmente o sistema e o número ca­­­da vez maior de pobres e desempregados do país, que não têm como pagar as novas taxas e copagamentos que foram instituídos nos hospitais públicos como parte de medidas abrangentes de austeridade.

Em hospitais públicos, os médicos relatam a escassez de todos os tipos de suprimentos, desde papel higiênico até cateteres e seringas. Os equipamentos computadorizados deixaram de receber manutenção e não estão mais em uso. Os enfermeiros estão tratando de um número quatro vezes maior de pacientes do que deveriam, e o tempo de espera por cirurgias – até mesmo de câncer – tem aumentado.

O acesso a medicamentos também foi afetado, já que alguns fabricantes de medicamentos, aos quais se deve dezenas de milhões de dólares, não estão mais dispostos a abastecer os hospitais gregos. Ao mesmo tempo, os farmacêuticos, com medo de que o governo não possa reembolsá-los, estão solicitando pagamentos em dinheiro, mesmo daqueles que possuem seguro.

Muitos especialistas dizem que o sistema de saúde pública da Grécia estava inchado, corrupto e precisava urgentemente de uma reforma. Mas dizem também que os cortes foram tão profundos e chegaram tão rápido que tiveram o efeito de um tsunami.

Em apenas dois anos, o governo cortou os gastos com a assistência à saúde de US$ 19,5 bilhões para US$ 17 bilhões, um decréscimo de 13%. E, sob o seu acordo com os credores, a Grécia deve enfrentar ainda mais cortes no setor em 2012, que podem chegar a US$ 915 milhões.

Ao mesmo tempo, houve um aumento de 25% para 30% no número de pacientes que recorrem às unidades de saúde pública, pois muitos gregos já não podem se dar ao luxo de procurar atendimento em clínicas privadas.

Em uma carta recente ao periódico médico The Lancet, uma equipe de pesquisadores ingleses advertiu que uma "tragédia grega" pode estar iminente, chamando atenção para o aumento nos índices de suicídio e HIV e a deterioração dos serviços nos hospitais que estão sob pressão financeira.

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