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Portos

Crise “frustra” 20% dos investimentos

A retração da economia global reduziu em 17% o faturamento dos terminais portuários do país e "provavelmente frustrou" R$ 4 bilhões em investimentos em expansão previstos para os próximos cinco anos, segundo a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP). "Nossos associados previam investir R$ 20 bilhões em ampliações e novos terminais. A crise provocou suspensão temporária ou mesmo cancelou 20% disso", diz Wilen Manteli, presidente da ABTP. "No entanto, muitos investimentos não têm como ser postergados. E o setor tem que estar preparado, pois a partir de 2010 poderá haver uma recuperação no comércio global."

Esse é um dos argumentos a que se apega Gabriel Vieira, diretor-superintendente do Tecon Santa Catarina, terminal privativo de contêineres em construção em Itapoá – cujo cronograma, segundo ele, foi mantido. A primeira fase fica pronta no primeiro semestre de 2010, a um custo de R$ 431 milhões. "O segmento de contêineres cresce de 10% a 12% ao ano. Vai cair em 2009, mas apostamos que haverá uma retomada, que vai coincidir com a entrada em operação do Tecon." Na primeira fase, o terminal terá capacidade para movimentar 500 mil TEUs (um TEU equivale a um contêiner de 20 pés) por ano – em 2008, Paranaguá movimentou pouco mais de 600 mil TEUs.

A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) anunciou na semana passada um pacote de R$ 260 milhões, que inclui a compra de uma draga e investimentos em infraestrutura. "Temos R$ 435 milhões em recursos próprios. Por isso, não dependemos de recursos federais ou empréstimos bancários", diz o superintendente da Appa, Daniel Lúcio Oliveira de Souza.

Segundo ele, embora as exportações feitas por Paranaguá tenham recuado 9%, em valor, as receitas tarifárias foram "equivalentes" às do primeiro trimestre de 2008. "A arrecadação não é tão prejudicada porque é feita sobre o peso das mercadorias. Se, por um lado, o embarque de veículos caiu pela metade, o forte aumento dos embarques de commodities como soja, açúcar e milho compensou, pois sua ‘tonelagem’ é muito mais relevante."

Pressão menor

Um dos temores do setor produtivo é que, por aliviar o congestionamento em estradas, portos e aeroportos, a crise venha a reduzir o ânimo de empresários e do governo para investir em infraestrutura logística. O movimento de exportações e importações no terminal de cargas do Aeroporto Afonso Pena, por exemplo, caiu 14% – e a licitação para a ampliação do terminal, que cambaleia desde o ano passado, pode ter um motivo a menos para deslanchar.

"O PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] prevê R$ 1,8 bilhão só em dragagem de portos. É um programa ousado e indispensável, mas a burocracia começa antes mesmo da licitação e dificulta demais", diz Wilen Manteli, da ABTP. "Não podemos nos acomodar. Caso contrário, quando o crescimento for retomado, o país voltará a deparar com os mesmos problemas de sempre." (FJ)

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