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Comércio exterior

Oito países aliviam perdas do PR

Grandes importadores, como a Argentina, sumiram em 2009. Entre as principais mercadorias exportadas pelo estado, apenas soja, milho e açúcar tiveram embarques maiores

Confira informações sobre o retrocesso nas exportações |
Confira informações sobre o retrocesso nas exportações (Foto: )

A crise internacional provocou um retrocesso de três anos nas exportações do Paraná. De janeiro a março, o estado vendeu ao exterior cerca de US$ 2,2 bilhões, o pior resultado para um primeiro trimestre desde 2006. O faturamento, 29% menor que o de igual período de 2008, teria sido ainda menor se não fosse pela "fidelidade" de um grupo de oito países – os únicos a aumentar as compras de mercadorias paranaenses entre os 30 principais importadores (veja quadro nesta página).

Se os oito fossem excluídos das contas, as exportações teriam despencado 37%, segundo levantamento feito pela Gazeta do Povo a partir de dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do governo federal. Algo parecido ocorre com os produtos vendidos pelo estado. Das dez principais categorias, que respondem por aproximadamente 80% das vendas, apenas três – soja, açúcar e milho – tiveram embarques maiores neste ano e, sem elas, a queda das exportações passaria de 38%.

Clientes tradicionais, como Alemanha, Holanda e Estados Unidos, debandaram. Mas nada que se compare à Argentina, habitualmente maior importadora de produtos "made in Paraná": ela reduziu suas compras em 60%, para US$ 171 milhões, o valor mais baixo em um primeiro trimestre desde 2005. A queda se disseminou por quase todos os produtos vendidos para lá, mas doeu mais para duas categorias. Veículos, tratores e seus componentes tiveram baixa de 69%. O recuo da divisão de máquinas e motores – que inclui, entre centenas de itens, colheitadeiras, refrigeradores e equipamentos industriais – foi de 59%.

A retração era esperada, em razão da crise. No entanto, as medidas protecionistas do vizinho têm atrapalhado mais os exportadores brasileiros – no primeiro trimestre, os argentinos reduziram suas compras de todo o mundo em 30%, mas, no caso do Brasil, a queda chegou a 44%. Uma série de barreiras comerciais determinadas pela presidente Cristina Kirchner têm impedido ou retardado a entrada de produtos brasileiros.

Apetite

Entre os países que, contra a corrente, compraram mais do Paraná no primeiro trimestre está a Venezuela, cujas importações subiram 26%, puxadas por carnes, óleo de soja, máquinas e papel. Trata-se, no entanto, de uma recuperação – a demanda venezuelana havia se retraído no ano passado, e os volumes de 2009 ainda estão abaixo dos verificados há dois anos.

A China, por sua vez, "atacou" Paranaguá com apetite por soja e açúcar – este último, para compensar sua safra menor. No caso da soja, para recompor seus estoques, que encolheram nos últimos dois anos. "Como as cotações recuaram após o recorde do ano passado, e o preço do frete desabou, os chineses decidiram que a hora de comprar é agora", diz a analista Daniele Siqueira, da AgRural. "O Brasil nunca havia vendido tanta soja para a China quanto no primeiro trimestre."

A Índia foi outro país que, com safra menor, teve de comprar um bocado de açúcar do Paraná. Angola e Chile elevaram suas compras de uma variada gama de produtos. Os outros três países que aliviaram a barra das exportações paranaenses – Coreia do Sul, Noruega e Marrocos – concentraram-se em produtos básicos ou semimanufaturados, como milho, soja e derivados. Os noruegueses, que compravam quase nada daqui, passaram a importar soja em grão e farelo e, com isso, aumentaram suas importações de US$ 39 mil para quase US$ 28 milhões.

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