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Transformação digital

Round Pegs viabiliza criação de startups internas em grandes corporações

Com bases no Vale do Silício e no Cubo, a empresa brasileira oferece soluções de inovação digital para companhias como Itaú, Philip Morris, Falconi e Dasa

  • Carol Nery Especial para a Gazeta do Povo
A Round Pegs tem, além da estrutura fixa, especialistas que atuam remotamente ao redor do mundo. | Fernando Cavalcanti
A Round Pegs tem, além da estrutura fixa, especialistas que atuam remotamente ao redor do mundo. Fernando Cavalcanti
 
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Ao atuar por quatro anos como um dos executivos responsáveis pela agenda digital de uma importante instituição financeira brasileira, Pedro Donati sentiu na pele como é complexa a inovação neste segmento nas grandes organizações e fundou com investimento próprio a Round Pegs, onde ocupa o cargo de CEO. A startup nasceu com sede no Vale do Sílicio, em setembro de 2016, basicamente como uma solução online para que as empresas tomem melhores decisões, e de maneira mais rápida, sobre a inovação digital em seu ambiente.

É o que o ecossistema chama de Corporate Builder Venture: uma startup que auxilia grandes corporações a conceberem, criarem e operarem startups internas. A proposta rendeu à Round Pegs o LatAm Edge Award 2017 - premiação voltada a empreendedores, idealizada pelo GrupoCASA UK e que contou com diversos apoiadores, como o Departamento de Negócios Internacionais do Reino Unido -, ocorrido no auditório da WeWork em Londres.

Donati começou a carreira em startup e toda sua formação profissional foi dentro do universo digital. “Como executivo, percebi o quanto de ideias incríveis e oportunidades digitais apareciam pela frente e simplesmente não eram exploradas”, afirma. Segundo ele, boa parte da complexidade tem a ver com a forma como os profissionais entendem e tomam as decisões e, na percepção dele, as empresas não têm os mecanismos necessários para isso.

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“Contrastando esses dois mundos e vendo como organizações como o Google, Amazon e Netflix funcionam, percebi uma série de mecanismos de como entender e tomar decisões sobre a inovação digital, que não estava ao alcance das empresas. A Round Pegs foi criada para ser esse acelerador de inovação e transformação digital.”

Apesar de ter sido fundada há dois anos, a Round Pegs abriu-se ao mercado há menos seis meses. Donati revela que, junto com a sócia, co-fundadora e CIO da empresa, Taíse Hacker, optou por, inicialmente, entender o mercado e validar a operação. A empresa atuou de forma fechada no atendimento a dois clientes de peso. Até fevereiro de 2018, os esforços foram debruçados sobre projetos para o Banco Itaú e para a Dasa — maior grupo de análises clínicas da América Latina e segundo maior do mundo, dona de cerca de 30 marcas.

Valuation das inovações chega a R$ 180 milhões

Nesta nova fase, a Round Pegs ampliou a comunidade de clientes e trabalha no “destravamento”, como a empresa se refere ao processo, de corporações como Philip Morris, Falconi e o próprio Banco Itaú, em novo contrato. “A Falconi não só usou nossa solução para inovação deles como também se tornou um parceiro e passou a oferecer a nossa solução como parte do mecanismo de inovação que trabalham com os clientes deles”, comenta Donati.

Nesses dois anos, afirma ele, se somar o valuation de resultado de todas as inovações que a Round Pegs ajudou a viabilizar, estima-se um volume de mais de R$ 180 milhões. “Este é o valor a ser capturado à medida que as companhias levem essas informações a mercado”, diz

As inovações ainda são mantidas em sigilo e detalhes não podem ser divulgados. No caso da Dasa, primeiro cliente da Round Pegs, o que pode ser dito é que foi desenhada uma plataforma exponencial, que conecta pessoas com suas necessidades de saúde. “Usando essa abordagem de startup, o projeto começaria com uma entrega de valor de tirar fila de laboratório e ser o repositório de histórico médico.” A inovação evoluiu e a Dasa já toca o projeto com time próprio. “Fico feliz de ver essas ideias caminhando dentro das empresas, ideias que na minha vida pregressa via simplesmente morrerem dentro das organizações.”

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O CEO da Round Pegs, Pedro Donati, fundou a startup em setembro de 2016. Divulgação

Oito semanas de interação e acompanhamento da evolução das ideias

Há cerca de duas semanas, durante evento de inovação em Nova York, a Round Pegs lançou um portal web no qual o executivo da empresa pode interagir e acompanhar toda a execução da sua ideia. Os profissionais da empresa passaram 18 meses refinando uma metodologia de como validar e entender literalmente como se sai de uma ideia e, a partir dela, se chega a uma decisão executiva de investir e explorar. “Para isso acontecer não deveria gastar muito. E é isso que trava o processo. As empresas já tentam sair fazendo MVPs, construindo um pedaço do produto e para isso é preciso aprovação, depende de uma decisão executiva. Nós quebramos esse círculo vicioso.”

Na prática, as empresas que querem a inovação passam por um sistema, batizado de Startup Your Idea, que agrega cinco serviços. Casa um deles conecta os executivos, como consultores de estratégia e de negócios e profissionais de áreas de inovação, tecnologia e digital, a um time que conta com um dos especialistas da Round Pegs — a comunidade tem um total de 49 em dez países, que usa remotamente a metodologia da startup por meio de videoconferência e ajuda o profissional a entender a oportunidade.

Ao participar da dinâmica, o executivo tem condições de descobrir como uma startup executaria a sua ideia. O primeiro serviço, explica Donati, garante que a empresa encontre o melhor ângulo por onde começar. O segundo olha para o que já foi feito de similar no mercado e por outras indústrias, de modo a inspirar a visão do executivo para tal inovação. O terceiro serviço discute modelos de negócios: de que formas pode gerar valor dentro da empresa ou como negócio novo ou como aumento de receita. O quarto serviço é um experimento desenhado para capturar dados sobre as hipóteses de maior risco.

O quinto e último serviço é a produção do plano de inovação, composto por um pitch (material com os slides necessários para o executivo apresentar e ter a discussão executiva sobre a ideia dentro da empresa) e um guia sobre como dar os próximos passos para criar a inovação com cultura de startup (quanto investir, que time alocar, por quanto tempo, com que processo de trabalho e quais métricas usar para acompanhar). “Ele cria a governança corporativa adequada e a empresa pode usar esse guia para executar a descoberta do produto ela mesma com o time dela ou contratar um time nosso, que irá interagir digitalmente com o executivo, executando o guia de co-criação e descobrindo o produto como deveria ser.”

O processo todo consome um total de oito semanas do executivo, porém apenas duas horas por semana do tempo dele. “Sabemos que está cuidando de suas prioridades então é algo que cabe na agenda dele, para que tenha foco no que é importante e ao mesmo tempo descubra e discuta sobre o que pode ser transformador para o negócio dele.”

Foco em parcerias no Brasil, EUA e Inglaterra

A Round Pegs está incorporada desde o início das operações no WeWork de San Jose (Califórnia) e, em fevereiro de 2017, conquistou espaço no coworking Cubo, na capital de São Paulo. Além das dezenas de especialistas espalhados pelo mundo, a empresa conta com uma estrutura fixa de seis pessoas. “Vamos crescendo de acordo com a demanda. Nosso propósito é fazer com que empresas consigam tomar melhores decisões e de forma mais acelerada, e isso é uma necessidade global. Nosso foco agora é discutir parcerias no Brasil, EUA e Inglaterra sobre como elas podem nos utilizar como infraestrutura nas suas empresas.”

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Para Donati, há uma série de possibilidades novas de negócio no mercado e é uma questão para a empresa capturar isso, antes que seus concorrentes o façam. Ele faz um comparativo com o período pré-iPhone: “Todos os negócios que conhecemos hoje baseados nele, como Uber e afins, não poderiam existir antes disso.”

O executivo destaca ainda que muitas das inovações não alcançam o consumidor, pela falta de alcance e distribuição das startups que as criam, o que não acontece com as empresas tradicionais. “São elas que realmente impactam nosso dia a dia, como o banco, o plano de saúde, a escola do filho, o supermercado. As inovações têm de acontecer por meio dessas empresas, com novos negócios e produtos digitais, que melhorem o mercado e a vida das pessoas.”

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