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Rodrigo Schneider e Ohmar Tacla, co-fundadores da Loox VR. | Albari Rosa/Gazeta do Povo
Rodrigo Schneider e Ohmar Tacla, co-fundadores da Loox VR.| Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo

O início da pré-venda do Rift, possivelmente o mais esperado e reverenciado dispositivo de realidade virtual do mercado, frustrou os brasileiros em dobro, no começo do mês. Não bastasse o preço salgado, de US$ 600 (cerca de R$ 2,4 mil), o aparelho nem sequer será comercializado no Brasil por enquanto. O que não significa que os consumidores daqui ficarão alheios à nova “onda do momento”. Aproveitando o aumento do interesse pelo tema, uma empresa curitibana lançou um óculos de realidade virtual de baixo custo, que já está à venda no varejo e promete entreter os mais afoitos pela nova tecnologia.

GALERIA DE FOTOS: confira detalhes do Loox VR Alpha

O Loox VR Alpha, desenvolvido pela Loox VR, utiliza o mesmo conceito do Cardboard, do Google, ou do Gear VR, óculos da Samsung lançado no Brasil em novembro por R$ 799. O óculos, neste caso, serve como um receptáculo para o smartphone, que é quem fornece a tela e o hardware necessários para rodar aplicativos e games e visualizar vídeos e fotos em 360 graus. Além de prática, a opção diminui os custos de produção: o aparelho curitibano está sendo vendido em sites de lojas como Ponto Frio, Extra e Casas Bahia por R$ 124,50.

A intenção, que fique claro, não é competir com o Rift, da Oculus VR, empresa comprada pelo Facebook em 2014. Segundo um dos co-fundadores da Loox VR, Rodrigo Schneider, o objetivo da empresa é proporcionar aos consumidores um primeiro contato com a realidade virtual, democratizando o acesso à tecnologia e também permitindo que empresas a utilizem em lançamentos e eventos.

Como funciona

O Loox VR Alpha conta com duas lentes de 40 mm. O usuário encaixa o smartphone em uma espécie de tampa que fica na frente do acessório. São compatíveis celulares com tela de 4 a 6 polegadas que possuem giroscópio, como modelos mais recentes da Samsung, Motorola, LG, Asus e Apple. Para acessar os conteúdos, basta acessar pelo navegador de internet do celular o site looxvr.com ou baixar aplicativos de realidade virtual pelas lojas de apps do Android e iOS.

“Para termos um maior volume de vendas, as pessoas têm que entender o que é realidade virtual. E são os grandes players (como o Rift e a Samsung) que vão assumir esse papel de criar o desejo e o interesse. E é aí que surgiremos como uma alternativa. Hoje, o nosso principal concorrente é o Cardboard, do Google, mas o nosso óculos fornece uma experiência mais imersiva”, explica Schneider, que está à frente da empresa ao lado dos amigos Ohmar Tacla, Diego Gonzalez e Leonardo Tacla.

A empresa não cita uma expectativa de vendas, mas afirma que consegue produzir 10 mil unidades por mês do Loox VR Alpha em uma fábrica terceirizada na Cidade Industrial. A largada foi dada no fim do ano passado, mas os estudos iniciais começaram ainda em 2009, com o primeiro protótipo surgindo em 2012.

Novos recursos

Com a chegada do acessório em si ao mercado, a Loox VR finaliza agora o desenvolvimento de aplicativos ligados ao aparelho. Um deles promete transformar o celular em câmeras fotográficas de 360 graus, para que os próprios usuários produzam o conteúdo que será visto pelo óculos de realidade virtual – futuramente, o mesmo app deve permitir a gravação e transmissão de vídeos ao vivo.

Concorrência sadia

O Loox VR Alpha lembra outro acessório semelhante desenvolvido por curitibanos, o Beenoculus, da startup de mesmo nome.

A Beenoculus foi uma das empresas vencedoras do prêmio Bem Feito no Paraná 2015, uma realização da Gazeta do Povo em parceria com a Escola de Comunicação e Negócios da Universidade Positivo. A startup foi oficialmente lançada em janeiro do ano passado e e tem como foco o desenvolvimento de conteúdos educacionais para serem acessados por meio da realidade virtual – o Beenoculus é vendido no site da empresa por R$ 159.

Apesar da semelhança entre os negócios, o co-fundador da Loox VR, Rodrigo Schneider, nega que haja uma disputa local ou que as empresas sejam concorrentes. “Somos amigos próximos do pessoal da Beenoculus. Inclusive dia desses conversamos e brincamos que, ao que parece, Curitiba virou meio que um vale da realidade virtual”, diz.

Além disso, o consumidor também poderá compartilhar as imagens por meio de um site criado pela Loox VR que funcionará como uma espécie de rede social, onde diferentes usuários divulgarão suas criações – hoje, no site oficial da empresa, já é possível acessar conteúdos feitos para o acessório.

Negócio extra

A produção de conteúdo imersivo em 3D e 360 graus, inclusive, é outra aposta dos empreendedores, que abriram uma nova empresa, a HOVR, unicamente para fornecer imagens e filmes que possam ser vistos por meio de dispositivos de realidade virtual. Em setembro, por exemplo, a empresa desenvolveu um projeto customizado para a Renault no lançamento do Duster Oroch. Marcas como Cyrela, Universal Music e Tecnisa também já lançaram projetos com os curitibanos.

“Os óculos de realidade virtual ainda são novidade para muita gente. Então as empresas se apropriam dessa oportunidade para fornecer a primeira experiência das pessoas com essa tecnologia, uma experiência marcante que elas vão associar depois à marca (das empresas)”, relata o co-fundador da Loox VR, Rodrigo Schneider.

Os empreendedores não relatam a quantia investida nos dois negócios, mas reforçam que o investimento partiu unicamente do bolso dos quatro sócios, que permanecem na linha de frente das empresas.

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