
O "boom" da produção imobiliária trouxe uma dor de cabeça inusitada para as empresas do setor. Durante os anos de crise da construção civil, muita gente que trabalhava no segmento migrou para outras atividades e hoje falta mão-de-obra no mercado para fazer frente à expansão. "O nosso desafio é trazer esse pessoal de volta e formar uma nova safra de trabalhadores", diz Euclesio Finatti, diretor técnico do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) no Paraná.
O Sinduscon estima em pelo menos 15% o déficit de mão-de-obra para a construção no estado. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego mostram que o setor bateu recorde de geração de vagas no primeiro semestre no Paraná. O saldo entre admissões e demissões ficou em 11,5 mil vagas, com crescimento de 99% sobre o mesmo período do ano passado e aumento de 15,8% no estoque de empregados. Até o fim do ano, o número deve chegar a 17 mil, mais que o dobro de 2007 (8 mil), segundo Finatti.
Além de pedreiros, carpinteiros e eletricistas, as construtoras estão à procura de engenheiros. Muitas estão recrutando estudantes do último ano da faculdade, algo que há tempos não se via na construção civil. "Em média, um engenheiro recém-formado demorava um, dois anos para conseguir uma colocação. Hoje ele já sai da faculdade com o emprego garantido", diz Finatti. Com a procura maior, os salários também subiram. As ofertas iniciais variam de R$ 4 mil a R$ 5 mil.
Os profissionais autônomos, que sofreram com a queda na produção de imóveis até meados da década, também estão retomando espaço. Com 30 anos de experiência, a engenheira Regina Barbosa (foto) diz que hoje é obrigada a descartar algumas propostas de contratação porque não dá conta da demanda. "Em média, a remuneração subiu 30%", diz ela, que acaba de fechar um acordo com a recém-criada incorporadora Neubau, em Curitiba.
Segundo Euclésio Finatti, o setor vem acelerando ações para evitar um "apagão" de mão-de-obra. Até o fim do mês devem ser formadas as primeiras turmas do Plano Setorial de Qualificação (Planseq) Bolsa Família, que vai contemplar a construção civil. Patrocinado pelo governo federal, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), o projeto vai capacitar beneficiários do Bolsa Família para funções como pedreiros, azulejistas, carpinteiros e eletricistas, com cursos de 80 horas de aulas.
Com foco em gerar mão-de-obra para atuar nas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o programa espera treinar 180 mil pessoas, com recursos de R$ 150 milhões em todo o país. Para Curitiba e região metropolitana, estão reservados R$ 10 milhões, segundo Finatti, suficiente para preparar 13 mil pessoas. Parte desse montante deve ser destinado ao interior, que já tem garantida uma contrapartida de R$ 2 milhões do governo estadual. (CR)



