"As autoridades mexicanas afirmaram recentemente que, se os Estados Unidos tiverem uma pneumonia, o México terá uma gripe. No entanto, a história e nossos números mostram justamente o contrário." A frase, do economista e jornalista mexicano Mario di Constanzo, aponta o rumo que a economia de seu país tende a tomar com a recessão dos EUA, que compram 85% das exportações do México. Além disso, as remessas de mexicanos que vivem no país vizinho, de US$ 20 bilhões por ano, representam a segunda fonte mais importante de dólares do México fonte que está secando, devido à perda de emprego e ao retorno de muitas pessoas que haviam emigrado.
Opositor do presidente Felipe Calderón, Constanzo diz que o governo vem sendo advertido desde 2006 sobre as fragilidades da economia norte-americana e a conseqüente necessidade de reduzir a dependência do vizinho do Norte e fortalecer o mercado interno. "Mas o governo não fez coisa alguma, e agora estamos ainda mais vulneráveis. O crescimento esperado do país para 2008 é de 1,8%, o mais baixo de toda a América Latina, e caminhamos para a estagnação em 2009", disse Constanzo, em sua palestra no seminário "Crise: Rumos e Verdades", promovido pelo governo paranaense.
Inflação
De acordo com o economista, os preços de alimentos essenciais subiram mais de 100% em dois anos, o que, somado à alta de insumos como gasolina, diesel, gás e energia, teria reduzido em 70% o poder de compra dos assalariados. "Desde o início da crise, o preço da gasolina caiu 37% nos EUA, mas no México ela subiu quase 9%, e hoje está 21% mais cara que a vendida no Texas. E o México é o quarto maior produtor de petróleo do mundo", esbravejou Constanzo.
Segundo ele, o governo se recusa a construir refinarias, o que obriga o país a importar derivados de petróleo. "O nosso déficit comercial, que aumentou US$ 14 bilhões no último ano, chegou a US$ 68 bilhões, devido às importações de gasolina e alimentos."
Algumas das sugestões do economista para solucionar os problemas mexicanos, no entanto, falharam grosseiramente em outros países latino-americanos. A primeira medida que ele indica é o congelamento dos preços de itens essenciais medida que ficou longe de dominar a hiperinflação no Brasil nos anos 80 e, no caso de combustíveis e energia, uma redução das tarifas. Ao mesmo tempo, sugere ajuda estatal aos agricultores, que, ironicamente, podem ser prejudicados em caso de tabelamento de preços.



