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Depois do cinema, é a vez dos games entrarem na onda do 3D

Os óculos bicolores não vão ficar restritos somente às salas de exibição. Os fabricantes de games acreditam que o futuro dos jogos eletrônicos está em pôr o usuário dentro da história

Tela de Gran Turismo, jogo que teve uma versão 3D apresentada em Las Vegas, este ano: impressionante | Divulgação
Tela de Gran Turismo, jogo que teve uma versão 3D apresentada em Las Vegas, este ano: impressionante (Foto: Divulgação)
Invincible Tiger: com o equipamento certo, uma experiência fantástica |

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Invincible Tiger: com o equipamento certo, uma experiência fantástica

Londres - Na superfície, o game Invincible Tiger (ainda a ser lançado oficialmente, mas já apresentado na Electronic Entertainmente Expo, na semana passada) parece bem familiar: um jogo de luta com muitos murros, chutes e pontapés ao estilo de clássicos dos anos 80 como Double Dragon e Final Fight. Entretanto, com o equipamento certo (um aparelho especial de tevê e um par de óculos 3D), o jogo ganha uma dimensão totalmente diferente: os mal-encarados saem da tela em sua direção e a arte fantástica dos cenários ganha vida com a distância.

Vários executivos da indústria dos games acham esse será o futuro dos jogos eletrônicos. Assim como a indústria do cinema já está revivendo sua própria experiência com a ressurreição do 3D, com platéias cada dia maiores lotando salas em todo o mundo para assistir Monstros versus Alienígenas, Coraline e o aguardado Up, da Pixar, as empresas de games apostaram na tecnologia e não estão medindo esforços para trazer o 3D real para a sala de tevê de qualquer gamer. Na Conferência de Desenvolvedores de Games deste ano, realizada em São Francisco, EUA, a Sony fez demonstrações de um sistema que espera utilizar para incentivar o desenvolvimento de jogos realísticos em 3D.

A empresa Blitz Games, responsável pelo desenvolvimento do Invincible Tiger, fez bom uso da fama de seus fundadores como forma de introduzir o seu último lançamento – uma suíte de aplicativos para desenvolvedores de sistema criarem jogos realísticos em 3D. "Quando as pessoas têm a chance de ver um jogo destes, elas dizem que é legal – muito legal", disse Andrew Oliver, diretor técnico da Blitz. "De repente, o HDTV parece não ter mais tanta graça. Muitas pessoas não acreditam no que vêem e dizem que é um truque, mas não é. O 3D agrega algo muito significante aos jogos – se você tem a tevê e os óculos, obviamente. O mundo fica mais completo, mais real. É uma questão de imersão", complementa.

Entrar nessa área foi certamente uma manobra arriscada para a Blitz, fundada por Andrew e seu irmão gêmeo, Philip, que fizeram fama no mundo dos programadores já nos anos 80, quando eram adolescentes, com a série Dizzy. Os irmãos acreditam que os jogos tridimensionais irão ser um grande negócio para a empresa, apesar de terem descoberto que é necessário possuir uma habilidade técnica considerável para se criar um sistema 3D. "De cara, pensamos que já tínhamos um sistema muito rápido para jogos e só precisávamos de uma boa resolução do monitor de tevê, o que não seria difícil. Mas descobrimos que estávamos redondamente enganados. O jogo tem que ser Full HD e não apenas ter 60 frames por segundo, como também ser alimentado continuamente pela esquerda e direita, o que representa a necessidade de renderizar todos os gráficos duas vezes", informou Andrew.

Dificuldades a parte, a tecnologia tridimensional tem o apoio de grandes personalidades, como o diretor Steven Spielberg, que trabalhou recentemente com a Eletronic Arts. O diretor declarou ao jornal londrino Guardian que ver o avanço dos jogos em 3D era uma de suas ambições não realizadas. "Tenho muitos sonhos, mas, a curto prazo, gostaria de ver o desenvolvimento de jogos em 3D que, com um bom par de óculos e um monitor apropriado desenvolvidos especialmente para esta tecnologia, ofereçam ao gamer uma experiência tridimensional genuína. Adoraria ver o 3D ser reconhecido por seu real valor", declarou Spielberg.

O diretor já cometeu erros com suas idéias sobre o futuro da indústria dos games; seu caso de maior envolvimento foi com a GameWorks, que acabou falindo quando Spielberg retirou seus investimentos na empresa. Entretanto, quando se fala em 3D, ele não é o único a ter esta opinião positiva. Sir Howard Stringer, chefe-executivo da Sony, já deu a entender que a empresa irá se expandir na tecnologia 3D em um futuro próximo e, já no início de 2009, lançou uma nova versão do jogo Gran Turismo, que impressionou o público no Show de Eletrônicos de Consumo, realizado em Las Vegas. Todavia, apesar de grandes nomes apoiarem a nova tecnologia, muitas pessoas ainda não se convenceram sobre as possibilidades de trazer o 3D para dentro de suas casas.

De acordo com Marie Bloomfield, analista da Screen Digest, o desenvolvimento de jogos e programas de tevê tridimensionais ainda é algo muito incerto. "É uma grande queda-de-braço. O mercado doméstico do 3D só irá ser persuadido a investir em novos equipamentos para a tecnologia tridimensional se existir conteúdo suficiente para ser desfrutado, e o desenvolvimento de conteúdo só irá ocorrer se houver uma audiência maior para ele", comentou a analista. Convencer os consumidores a por a mão no bolso pode ser uma tarefa árdua nestes tempos de crise, especialmente quando esses mesmos consumidores já se viram forçados a comprar tecnologias "obrigatórias" – LCD, plasma, FullHD – para seus televisores nos últimos anos.

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