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O dólar fechou em queda ante o real nesta quinta-feira, captando a melhora nos mercados externos conforme investidores digeriram dados macroeconômicos dos Estados Unidos.

A taxa de câmbio terminou cotada a 1,617 real na venda, queda de 0,74 por cento, a maior desde o último dia 10.

Na avaliação de Jason Vieira, analista internacional da corretora Cruzeiro do Sul, a fraqueza do dólar se deveu basicamente à percepção de que o juro básico nos EUA deve seguir perto de zero por mais algum tempo, o que estimularia os agentes a continuar direcionando aplicações para economias de juro maior, como a brasileira.

"Embora não tenha recuado, o PIB norte-americano cresceu menos que o esperado. Isso ajuda as bolsas, mas é ruim para o dólar, porque alimenta a expectativa de que o juro por lá permaneça baixo. Com isso, as perspectivas de ingressos de recursos (ao Brasil) se mantêm e acabam derrubando o dólar ante o real", comentou.

O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos avançou a uma taxa anualizada de 1,8 por cento, abaixo das estimativas de analistas de 2,1 por cento. Tal notícia, somada ao aumento nos pedidos de auxílio-desemprego no país na semana passada, chegou a azedar o humor de investidores, mas no final da tarde o apetite por risco retornava, amparando a alta nos mercados de ações globais.

Os EUA têm mantido o juro básico entre zero e 0,25 por cento desde 2008 e, nesse meio tempo, embarcou em rodadas de compras de ativos, visando diminuir ainda mais os custos dos financiamentos e aquecer a atividade.

Tal postura monetária, na opinião de analistas, é um dos principais motivos para a enxurrada de capitais que tem ingressado ao Brasil em 2011. De acordo com dados do Banco Central, de janeiro até o último dia 20 o fluxo positivo já alcança 45,4 bilhões de dólares, bem acima dos 24,4 bilhões de dólares contabilizados em todo o ano passado.

Durante apresentação em seminário promovido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, projetou que os ingressos de recursos para países em desenvolvimento devem continuar nos próximos anos, diante da perspectiva de crescimento econômico maior desses mercados em relação às economias desenvolvidas .

Segundo o operador de um banco em Nova York, "deve vir algum fluxo de novas emissões corporativas, e isso deve dar suporte à moeda (real)".

Entre essas operações está a realizada na semana passada pelo Banco do Brasil. A instituição precificou 1,5 bilhão de dólares em bônus de 10 anos, com liquidação prevista para esta quinta-feira.

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