O dólar comercial fechou em alta de 0,48% nesta quarta-feira, a R$ 2,323. Com isso, a moeda americana acumulou valorização de 11,25% em maio, o maior aumento registrado em um mês desde setembro de 2002. Às 16h29m, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) avançava 0,31%, aos 36.525 pontos. O Risco Brasil recuava 3,59%, aos 268 pontos centesimais.
A preocupação com os juros nos Estados Unidos, principal motivo para a alta do dólar durante o mês, levou os investidores a acompanharem com ansiedade a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano). No documento, porém, os diretores do Fed não foram conclusivos, e disseram que não sabem se precisarão promover novos aumentos da taxa básica de juros do país, que no dia 10 de maio foi elevada para 5% ao ano, desencadeando uma onda de turbulências nos mercados mundiais.
Logo após a divulgação, as bolsas de Valores dos Estados Unidos desaceleraram e chegaram a operar em queda por alguns instantes. A Bovespa foi junto e, desde então, passou a registrar variações positivas muito modestas. O dólar, que vinha em queda desde a manhã, passou a subir.
O economista-chefe da corretora Liquidez, Marcelo Voss, disse que o presidente do Federal Reserve (Fed), Ben Bernanke, escolheu o momento errado para adotar uma postura de maior transparência, destoante do estilo conciso de seu antecessor, Alan Greenspan. Em uma outra conjuntura, afirma Voss, a sinceridade de Bernanke seria bem-vinda, mas não em um período de ajuste como o atual, em que o Fed tateia em dados conflitantes, na difícil missão de encontrar a chamada taxa de juros neutra - aquela que propicia o maior crescimento possível sem colocar em risco a inflação.
- Ele deveria omitir um pouco as dúvidas que tem - comentou Voss, lembrando que, na própria ata, há um trecho em que os diretores do Fed avaliavam o grau de detalhamento que o documento deveria conter.
O Banco Central vendeu 8 mil contratos de swap cambial, a oferta máxima que se propunha a negociar, equivalentes a US$ 399 milhões. A operação, ressuscitada ontem após dois anos de jejum, tem o intuito de oferecer "hedge" ao mercado - e evitar uma alta maior da moeda.
A intervenção foi bem-recebida por analistas.
- O Banco Central está correto em evitar altas exageradas, porque elas podem virar uma bola de neve e contaminar os fundamentos da economia, como a inflação - comentou Voss.



