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O dólar à vista -referência para as negociações no mercado financeiro- fechou nesta quarta-feira (5) em queda de 0,59%, cotado em R$ 2,133 na venda. A moeda teve um dia instável, oscilando entre altas e baixas, reagindo a medidas concretas e declarações do governo em relação ao câmbio. O dólar comercial -utilizado no comércio exterior- fechou o dia em leve alta de 0,09%, cotado em R$ 2,131 na venda.

A moeda americana começou o dia em queda de mais de 2% refletindo a isenção da cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para investidores estrangeiros que aplicam em renda fixa no Brasil.

Na prática, a isenção do IOF para estrangeiros contribui para a desvalorização da moeda americana em relação ao real porque atrai mais recursos do exterior, já que a remuneração oferecida pelos títulos de renda fixa, sem o imposto, fica mais atraente.

A queda da moeda, porém, perdeu força após o ministro Guido Mantega (Fazenda) e a presidente Dilma Rousseff terem afirmado que a medida tomada pelo governo não tem por objetivo fazer o preço do dólar cair. "Nós não temos medida para conter o dólar. Eu queria informar quer este país adota o regime de câmbio flexível", afirmou a presidente Dilma.A Folha de S.Paulo mostrou na edição de hoje, porém, que o governo está, sim, preocupado com uma pressão inflacionária da valorização do dólar sobre a inflação, o que já se refletiu na decisão de subir juros para frear o consumo.

Analistas e técnicos do governo trabalhavam com a possibilidade de o valor do dólar em relação ao real subir para a casa de R$ 2,20 nos próximos dias, o que, no médio prazo, teria impacto relevante sobre a inflação.

O dólar à vista chegou a inverter a tendência no início da tarde e registrar leve alta de 0,19% em relação ao real, o que motivou a intervenção do BC -feita no mesmo preço do dólar (R$ 2,15) que motivou leilão semelhante na última sexta-feira- para conter a alta da moeda americana.

A autoridade realizou um leilão de swap cambial tradicional, que equivale a uma venda de dólares no mercado futuro. Foram oferecidos 40 mil contratos, dos quais 27,5 mil foram vendidos. A operação movimentou US$ 1,38 bilhão. Logo após a intervenção do Banco Central, pouco depois das 12h (horário de Brasília), o dólar à vista registrava leve queda em relação ao real.

Contraponto

"O mercado abriu com uma certa euforia após a notícia [de corte no IOF], mas ao poucos ele foi entendendo melhor que a medida do governo, apesar de trazer mais dólares para o país no curto prazo, não muda o cenário de indefinições políticas, aumento nos juros e inflação em alta, o que ajudou a queda da moeda a perder força", disse Ítalo Santos, especialista em câmbio da Icap do Brasil.

Segundo operadores, a forte queda do dólar no início do dia refletiu mais um "efeito manada", que levou os principais investidores a se desfazer da moeda americana buscando ganhos com pontuais ou mesmo minimizar prejuízos.Assim, era uma questão de tempo até investidores avaliarem que o fluxo esperado com a zeragem do IOF não será suficiente para melhorar de forma consistente a expectativa para as transações correntes brasileiras, ainda mais em meio à discussão em torno da possibilidade de o Federal Reserve -banco central americano- começar a retirar as medidas de estímulo em curso.

"A zeragem do IOF sobre renda fixa é um passo na direção certa, mas ainda pequeno. Não vai mudar a visão do investidor sobre o Brasil", diz o diretor de câmbio da Intercam Corretora, Jaime Ferreira.

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