O comportamento do dólar em relação às principais moedas internacionais não é, no longo prazo, um fator determinante para a formação dos preços das commodities. A afirmação, feita na semana passada pelos analistas do banco de investimento Barclays Capital, contraria uma tese popular e cada vez mais repetida no mercado internacional para explicar as variações de preço das matérias-primas a de que dólar e commodities oscilam em tendências opostas, ou seja, possuem uma correlação negativa.
Muitos analistas atribuem a explosão das commodities nos últimos anos, em grande parte, ao constante enfraquecimento do dólar em relação a divisas como euro e iene. Essa tese parte da premissa de que o valor das mercadorias negociadas em bolsa sobe quando o dólar perde valor e caem quando a moeda ganha força.
O discurso de que dólar e commodities seguem caminhos inversos voltou a ganhar força nos últimos dois meses, quando um movimento de recuperação da moeda foi acompanhado de uma expressiva desvalorização das matérias-primas. E na semana passada, quando o dólar voltou a se enfraquecer e as commodities reagiram.
Mesmo assim, o Barclays Capital desqualifica a tese. Em sua análise, o Barclays compara a oscilação dos preços de produtos como petróleo, cobre e milho em diferentes moedas em 2008. "O dólar encontra-se agora praticamente no mesmo nível em que estava no início do ano em relação a uma cesta de moedas importantes. Apesar desse cenário de neutralidade, desde o começo do ano, os preços das commodities subiram (ou caíram) em porcentuais semelhantes em moedas diferentes."
Outros exercícios de comparação podem ser feitos, colocando-se frente a frente o índice de commodities CRB e o Índice Dólar, que mede o comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de divisas. Desde janeiro, as commodities subiram 10%, enquanto o dólar aparece praticamente estável. A soja subiu 18,4%, o milho, 28,1% e o açúcar, 21,2%. O petróleo avançou 25%, em média.
"Essa divergência dos movimentos de preço por todas as commodities reflete os diferentes fundamentos desses mercados, e usar a fraqueza da moeda para explicar o risco de oscilação das commodities compromete a compreensão dos fatores reais."







