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Mercado financeiro

Dólar rompe o teto de R$ 1,80 e retorna ao nível de janeiro

Com disparada da cotação da moeda norte-americana, Banco Central interrompe seqüência de intervenções diárias no mercado, que ocorria desde outubro do ano passado

Cotação do dólar para venda |
Cotação do dólar para venda (Foto: )

O dólar rompeu o teto de R$ 1,80 pela primeira vez desde janeiro. Ontem, a moeda encerrou vendida a R$ 1,818, com alta de 1,67%. Nesse cenário, o BC decidiu não comprar dólares no mercado de câmbio e interrompeu uma seqüência de intervenções diárias que ocorria desde 8 de outubro do ano passado. Com sua atitude, o BC sinalizou ao mercado que a cotação do real ante o dólar pode ter mudado de patamar. Apenas neste mês, a moeda americana já se apreciou em 11,19%. No ano, a alta acumulada diante do real chega a 2,31%.

Nas últimas semanas, quando as turbulências começaram a pressionar o dólar, o BC já havia diminuído o valor de suas compras. Em 2007, quando o cenário era mais tranqüilo, o BC chegou a comprar US$ 1 bilhão num único dia. Desde a semana passada, as intervenções oscilavam em torno de US$ 50 milhões diários.

"Não me surpreende o dólar romper em breve o teto de R$ 1,85. Temos visto uma ausência de dólares no mercado. Era esperado que ao menos os exportadores estivessem entrando no mercado com as cotações nesses patamares, mas nem isso tem ocorrido", diz João Medeiros, diretor da corretora de câmbio Pionner.

Cobrir perdas

Com as perdas no exterior, muitos investidores estão se desfazendo de aplicações em que tiveram boa rentabilidade para cobrir os prejuízos. O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, ressaltou, nesta semana, que o dólar deveria subir a partir de agora, não só por causa da queda nas exportações e da alta das importações mas também por um menor fluxo de recursos externos.

Bolsa

Amparada na escalada das ações da Petrobras, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) foi ontem a que mais subiu nos principais centros financeiros do mundo, com ganho de 3,30%, para 51.270 pontos – a maior alta em seis semanas. As ações preferenciais da Petrobras, as mais negociadas, dispararam 9,48% (leia mais ao lado).

Nos EUA, a alta do índice Dow Jones ficou em 1,46%, puxada pela expectativa de apoio federal à venda do combalido banco Lehman Brothers, cujas ações caíram 41,79% ontem.

O anúncio feito pela Petrobras na noite de quarta-feira, de que as reservas estimadas para o campo de Iara podem alcançar 4 bilhões de barris de petróleo, fez com que os investidores deixassem um pouco de lado o adverso clima externo para olhar fundamentos internos. As ações da Petrobras foram responsáveis por 25% dos negócios na bolsa ontem, movimentando cerca de R$ 1,4 bilhão.

"Os investidores responderam bem ao anúncio, que deu fôlego a um papel [da Petrobras] bastante debilitado. O problema é que esse efeito é passageiro, e rapidamente as oscilações do petróleo vão voltar a ser a principal influência das ações da Petrobras, como têm sido", afirmou Roberto Gonzalez, professor da Trevisan Escola de Negócios.

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