São Paulo - O dólar manteve ontem a trajetória de queda e foi negociado por R$ 1,929 nas últimas operações do dia. Trata-se de um recuo de 1,78% em relação à cotação de terça-feira. Desde o início do ano, a moeda norte-americana já perdeu 17,28% do valor ante o real. Nas casas de câmbio, entretanto, o dólar turismo é vendido por cerca de R$ 2,05.
A desvalorização de 15,7% do dólar entre abril e junho foi a maior para um período trimestral na história do país, aponta a consultoria Economática. A pesquisa leva em conta a cotação de venda para a Ptax, a taxa média de câmbio calculada pelo Banco Central. Por meio desse critério, a queda durante os últimos três meses é ainda maior que o tombo de 14,35% registrado no segundo trimestre de 2003, até então o maior já visto na economia nacional. No semestre, a variação negativa do câmbio só é comparável aos anos de 2003 e 2007, quando o dólar havia se retraído 18,23% e 17,15%, respectivamente.
Fatores
A moeda norte-americana vem se desvalorizando por uma série de fatores, entre eles o aumento das exportações e dos preços das commodities, que puxam para cima o saldo da balança comercial. Além disso, o fluxo de dólares para o Brasil reverteu a tendência de queda a partir de março, como resultado do saldo positivo na balança e da retomada de investimentos no mercado brasileiro, principalmente em ações. A exceção foi o mês de junho. Ainda assim, com a entrada maior de dólares no país, a oferta da moeda aumenta no mercado e a tendência da taxa de câmbio é cair.
Outro motivo da valorização do real é uma diminuição da aversão ao risco, que havia se intensificado com o agravamento da crise econômica mundial, a partir de setembro de 2008. Naquela época, investidores estrangeiros que aplicavam em bolsa de valores e títulos do governo no Brasil passaram a enviar dólares para o exterior, porque precisavam desse dinheiro para cobrir perdas em outros mercados.
Agora, com sinais de que o pior da crise pode ter passado, os agentes financeiros estão mais dispostos a assumir riscos em mercados emergentes, como o Brasil, o que se reflete não apenas na alta do real frente ao dólar, mas também na valorização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa).
Analistas ressaltam que a desvalorização do dólar tem múltiplos efeitos para as empresas brasileiras. Se por um lado as endividadas em moeda estrangeira serão beneficiadas, as exportadoras correm o risco de apurar receitas menores.



