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Mercado financeiro

Dólar volta a subir e Bolsa cai após falas de Bolsonaro sobre Previdência

Em entrevista, Bolsonaro disse que a reforma da Previdência proposta por Temer “dificilmente será aprovada”

  • Folhapress e Estadão Conteúdo
  • Atualizado em às
Dólar valorizou após declarações de Bolsonaro. | Pxhere
Dólar valorizou após declarações de Bolsonaro. Pxhere
 
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O dólar operou em alta ante o real nesta quarta-feira (10) e a Bolsa brasileira caiu após dois dias de euforia com o resultado do primeiro turno da eleição presidencial. Às 16h50 (horário de Brasília), o dólar comercial subiu 1,42%, para R$ 3,7635.O Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas, caiu 2,80%, a 83.679 pontos.

Segundo operadores, houve um movimento de realização de lucros após a melhora dos mercados nos últimos dias, mas pesaram também ruídos entre membros da campanha de Jair Bolsonaro (PSL) e a queda das bolsas norte-americanas.

Na terça-feira (9), Bolsonaro disse que não usará a proposta de reforma da Presidência apresentada pela gestão de Michel Temer, já em tramitação na Câmara, e que pretende fazer sua própria reforma. 

“Eu acredito que a proposta do Temer como está, se bem que ela mudou dia após dia, dificilmente ela será aprovada”, afirmou.

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Mais cedo, seu coordenador político de campanha, o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), disse que o entorno do candidato não deve se movimentar, caso ele seja eleito, para a aprovação da reforma da Previdência ainda neste ano.

Na avaliação de agentes do mercado, as declarações vão na contramão da visão do coordenador econômico de Bolsonaro, o economista liberal Paulo Guedes. A preferência do mercado pelo capitão reformado do Exército é apoiada justamente em Guedes, a quem o mercado espera que imponha uma agenda de reformas, corte de gastos e ajuste fiscal.

“Fato é que o mercado está em um namoro com Bolsonaro e Paulo Guedes, e muitos acreditavam que a reforma de Temer poderia avançar ainda em 2018, no eventual cenário de vitória de Bolsonaro. A fala de Lorenzoni pode ser interpretada ou como um simples ruído advindo da dissonância de opiniões que o núcleo da campanha tem mostrado ou é realmente a expressão de um desejo de Bolsonaro”, escreveu a Guide em relatório.

"Desta forma, ele se coloca numa posição de antagonismo à de seu assessor econômico, que é mais agressivo (sobre reforma da Previdência)", disse o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

No exterior, o desempenho foi misto: de 24 moedas emergentes, o dólar ganhou força sobre a metade delas – o real, porém, liderou as perdas. Nas últimas semanas, o mercado financeiro se pautou pelo cenário doméstico, escapando de parte das turbulências externas. O exterior hoje, no entanto, também contribuiu para a reação negativa de investidores. As Bolsas americanas despencaram, reflexo do agravamento da guerra comercial travada por Estados Unidos e China. 

O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, afirmou que a desvalorização do iene está sendo monitorada de perto pelos americanos para evitar que o preço da moeda seja utilizada pelos chineses como instrumento de competição comercial, destacou a Guide em relatório. 

No radar de investidores esteve ainda a expectativa pela primeira pesquisa de intenção de votos do segundo turno, que será divulgada às 19h pelo Datafolha. 

Ação da Eletrobras chega a cair 12% após Bolsonaro falar sobre privatização

As declarações do candidato sobre privatização também tiveram influência nas ações de empresas que integram o conhecido ‘kit eleições’. As ações da Eletrobras recuaram -8,86% após o candidato criticar o processo de privatização da elétrica.

“A gente vai vender para qualquer capital do mundo? Você vai deixar a nossa energia na mão da China? A gente pode conversar sobre distribuição, mas sobre geração não”, afirmou ele, em entrevista à TV Bandeirantes.

Embora as ações da estatal tenham praticamente zerado os ganhos acumulados no cenário pós primeiro turno das eleições, com as preferenciais a R$ 23,16, e as ON em R$ 19,57, ao fim do dia esse movimento de arrefeceu. Os papeis preferenciais fecharam em R$ 24,55 e os ordinários em R$ 20,79. Na sexta-feira (5), as preferenciais tinham encerrado o pregão cotadas em R$ 22,61 e as ordinárias, em R$ 19,34.

Outras empresas também tiveram seus papéis penalizados no pregão. Os da Petrobras recuaram -2,87%, para R$ 26,05. Do setor elétrico, caíram Cemig PN (-5,09%) e Copel PNB (-2,59%), já Sabesp ON cedeu 4,04%. Entre os bancos, Banco do Brasil ON registrou baixa de -4,23%, seguido pelos concorrentes Itaú PN (-3,45%), Bradesco PN (-3,25%) e Santander Unit (-4,7%).

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