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Seminário da crise

Economista defende reforço para o Mercosul

Ignorar pequenas brigas por taxas protecionistas e tomar um caminho contrário, reforçando uma parceria comercial mais profunda com a Argentina, deve ser uma decisão a ser tomada pelo Brasil, especialmente os estados do Sul, com quem têm maior interesse comercial. Essa é a opinião do economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Franklin Serrano, que participou ontem do seminário "Crise – Rumos e Verdades", organizado pelo governo do estado.

Segundo Serrano, o Mercosul ainda é mais importante para a economia local do que o resto do mundo. "Não que a América Latina supra todas as nossas necessidades, mas ainda é um ótimo mercado", afirmou. Para ele, dizer que "não temos dólares para gastar com o seu produto" – refrindo-se às farpas disparadas entre os dois governos – é uma atitude equivocada. O caminho, segundo ele, deveria ser investir mais em conversas com propostas e contrapartidas em nível local, e com isso depender menos dos EUA durante a recessão.

Na negociação comercial, o economista formado pela Universidade de Cambridge concorda que sempre há assuntos delicados e problemas a serem superados dos dois lados. "Mas às vezes parecem esquecer que se a Argentina entrar em crise vai gerar um problema grande para toda a América do Sul", argumentou.

"Quando aparece uma crise, é normal que países rompam um diálogo e se separem para posar de amigos dos Estados Unidos. Mas isso em médio prazo não adianta nada, não leva a nada", continuou. Isso reforça sua posição contrária à de economistas que defendem que a hegemonia norte-americana chegou ao fim e que uma "multipolaridade econômica global" poderá surgir ao final da crise.

"A paralisia da economia norte-americana está acontecendo porque ninguém ainda sabe o que vai mudar, principalmente nos grupos que mais interessam à economia. Na prática, decisões importantes têm que ser tomadas e não são, e isso que causa a estagnação da economia", ilustrou, lembrando que o presidente George W. Bush é o "pato manco" da vez.

Sobre o multilateralismo econômico, anunciado como herança positiva após a crise do sistema financeiro, Serrano se mostra cético – afinal, muitos dos países que participam do G20 dependem do dólar. "O perigo é chegar nas negociações sob termos muito complicados, porque países como o Brasil estão precisando da estabilidade do dólar muito mais do que precisavam antes da crise", disse. "Esse ‘multilateralismo simpático’ é perigoso porque os envolvidos não têm poder de barganha, e também não têm muito a perder e nem a oferecer."

Por isso, ações locais de fomento da economia devem ser tomadas o quanto antes. "Não adianta esperar um colapso dos Estados Unidos e do sistema capitalista e acreditar que vão dividir o bolo depois. É importante agir localmente, não esperar apenas decisões internacionais, experimentar criar novas instituições para reagir frente a uma nova realidade", disse.

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