O economista-chefe do banco Schahin, Silvio Campos Neto, avalia que, com a provável mudança no comando do Banco Central (BC) no ano que vem, o primeiro do governo Dilma Rousseff, crescem as incertezas sobre a condução da política monetária, bem como sobre a autonomia da autoridade monetária para manter a inflação no centro da meta.

"Não há sinais de alívio sólido na inflação no curto prazo, com variações elevadas no varejo e no atacado. A pressão entre os alimentos está mista, com alguns itens desacelerando, mas outros ainda puxados. A inflação mais alta em 2010 pode contaminar parcialmente os índices de 2011, diante da inércia que ainda existe em alguns preços", resume o especialista.

Mais juros

O cenário atual, tanto da inflação corrente como das expectativas do mercado financeiro para os índices, indica a necessidade de o BC agir rapidamente para evitar um trabalho mais árduo no controle da inflação em 2011. A avaliação é do economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. Para ele, o mais apropriado é voltar a subir a taxa básica de juros (Selic) já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em dezembro.

"Se o BC começasse em dezembro com uma alta de 0,50 ponto porcentual [na Selic], já seria suficiente até para ancorar as expectativas do mercado. Se ele demorar e ajustar mais para a frente, em abril ou junho, por exemplo, vai ter de começar com um ajuste de pelo menos 1 ponto", diz Souza Leal, para quem, apesar da necessidade de ação rápida exigida pela inflação, as discussões atuais do governo se concentram na possibilidade de reduzir o juro real do país.

Para o economista-chefe do ABC Brasil, com o cenário atual de retomada de inflação, ficou mais claro que o BC não deveria ter interrompido em setembro o ciclo de aperto monetário iniciado em abril, que levou a taxa básica de juros de um nível de 8,75% ao ano para a marca atual de 10,75%. "A inflação corrente estaria em uma situação diferente e as expectativas poderiam estar ancoradas."

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