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Como sempre fazia todas as manhãs, a artista plástica Edna Camargo, de 59 anos, acessou o site do seu banco, em junho do ano passado, para checar o extrato. Mas aquele dia trazia uma surpresa: o saldo registrou seis pagamentos de contas de telefones de uma operadora da Bahia, no valor total de R$ 840.

— Na hora, achei que era um erro do banco, mas depois minha filha me disse para ir falar com o gerente porque eu havia sido roubada pela internet — contou.

Casos como esse são comuns todos os dias na internet. O número de incidentes de segurança encontrados no Brasil atingiu 197 mil durante o ano passado.

O valor é quase três vezes mais que as cerca de 68 mil registradas em 2005. O balanço é do Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br). Já as tentativas de roubos on-line cresceram 52% em comparação com o terceiro trimestre de 2006.

— O roubo de dados é a maior ameaça da internet atualmente porque hoje as ações estão cada vez mais combinadas, com vários códigos em um único ataque. O trabalho não é mais feito por estudantes e jovens. Agora está nas mãos de profissionais — explicou Douglas Wallace, diretor de engenharia de sistemas para a América Latina e Caribe da Symantec, fabricante do famoso antivírus Norton.

O caso de Edna teve um final feliz, mas nem sempre é assim.

— O banco só me pagou 20 dias depois porque eles duvidaram de mim no começo. Até provar, deu trabalho. Agora não passo um dia sem passar os programas de segurança que instalei no computador — contou.

Mas como os usuários podem saber se o computador está infectado?

— Na prática, a única forma é o escaneamento de um bom e atualizado antivírus e, de preferência, adotar um pacote completo de segurança — disse o consultor de segurança Jairo Schneider. Esse pacote deve ter antivírus, antispyware (monitoração), firewall (para impedir transmissão de dados), antiphising (roubo de dados) e backup (cópias).

— Se o usuário percebe que uma tela aparece estranhamente ou e-mails são enviados para a lista de contatos com mensagens estranhas automaticamente, é possível que haja um vírus escondido. Apesar de várias pragas produzirem esses efeitos, a maioria não faz — disse Schneider.

Wallace destaca que há um mercado negro que compra dados dos consumidores.

— Em 2006, esse mercado negociou 4.943 números de cartões de crédito mundial, por US$ 1 a US$ 12. Já para ter os dados e senha de conta corrente, o preço sobe para US$ 300, e para uma conta do Skype, US$ 12 — explicou.

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