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Para entender

Embraer avança sobre mercado regional e desafia domínio de Boeing e Airbus

O 2.000º E-Jet da Embraer, um E195-E2, recebido pela Azul em cerimônia em São José dos Campos (SP) (Foto: Vitor Machado/Divulgação Embraer)

A fabricante brasileira Embraer consolidou sua posição como a terceira maior família de jatos comerciais do mundo ao entregar, no início de setembro de 2026, seu 2.000º E-Jet para a Azul. Sediada em São José dos Campos, a empresa lidera o segmento de até 150 assentos e aproveita a crise de produção e os atrasos das gigantes Boeing e Airbus para ampliar sua carteira de pedidos global.

Como a Embraer conseguiu superar o desempenho de suas principais rivais?

A Embraer aproveita um momento de reordenação no setor aéreo. Enquanto Boeing e Airbus enfrentam filas de espera de até dez anos por novos aviões, a fabricante brasileira entrega jatos da família E2 em menos de dois anos. Esse crescimento foi impulsionado pela pandemia, que fez as companhias aéreas buscarem aeronaves menores e mais flexíveis. Além disso, a Boeing sofreu com crises de segurança e a Airbus com gargalos produtivos, permitindo que a Embraer acumulasse uma carteira de pedidos recorde de 34,5 bilhões de dólares em julho de 2026, com ações valorizando dez vezes desde 2021.

Quais são os principais modelos que impulsionam o sucesso da fabricante?

O destaque principal são os E-Jets, que transportaram mais de 2,8 bilhões de passageiros em 90 companhias de 60 países. No mercado dos Estados Unidos, o modelo E175 reina quase sozinho na aviação regional por ser o único que atende às regras trabalhistas dos pilotos locais. Além do transporte de passageiros, a Embraer brilha no setor militar com o cargueiro KC-390 Millennium, já selecionado por 13 países, incluindo a Colômbia. A empresa também investe no futuro da mobilidade com o 'carro voador' da subsidiária Eve, que realizou com sucesso voos horizontais em agosto de 2026.

Quais obstáculos a empresa enfrenta para acelerar ainda mais suas entregas?

Apesar do cenário favorável nas vendas, a Embraer lida com problemas na cadeia de suprimentos global que limitam o ritmo das fábricas. O ponto mais crítico é a falta de motores, o que deve restringir as entregas de jatos comerciais a cerca de 85 unidades em 2026, embora a capacidade instalada suporte mais de 100. Outros desafios incluem a escassez de componentes eletrônicos, peças forjadas de alta temperatura e a dificuldade em encontrar mão de obra qualificada. Somam-se a isso as oscilações nos preços dos combustíveis e contratos antigos firmados durante a pandemia que possuem margens baixas.

Qual é a estratégia da Embraer para competir no mercado de aviões gigantes?

A fabricante avalia desenvolver um jato de corredor único de maior porte para competir diretamente com os aviões de até 220 passageiros da Boeing e Airbus. Este projeto é ousado e exigiria cerca de 10 bilhões de dólares e parceiros estratégicos. Embora o CEO da Airbus tenha sugerido cautela antes de a brasileira tentar quebrar o duopólio, a diretoria da Embraer mantém uma postura pragmática. No curto prazo, o foco está em fronteiras como a Índia, onde a empresa estuda abrir uma linha de produção local caso consiga pedidos garantidos de pelo menos 200 aeronaves para o mercado civil e militar indiano.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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