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Sem conhecer todos os seus custos e despesas, os pequenos negócios costumam ter dificuldades para estabelecer o preço de um produto ou serviço. A prática de cobrar o valor errado pode ser fatal para uma empresa, já que um preço muito baixo causa prejuízos ao negócio e um valor muito alto resulta em perda de mercado.

Apesar da precificação não ser algo simples, o primeiro passo é ter uma gestão financeira bem organizada. “Sem conhecer todos os meus custos, automaticamente meu preço vai ficar fora da realidade de mercado”, afirma o consultor do Sebrae-PR Luis Zaia.

Ele diz que todas as despesas da empresa devem ser incluídas no cálculo do preço, como os custos fixos (aluguel, folha de pagamento e pró-labore) e variáveis (matéria-prima, fornecedor, imposto, comissão, entre outros).

Segundo o consultor, é comum o empresário se esquecer de acrescentar gastos com frete, viagens, comissões e outros custos fixos. Por exemplo, se foi necessário viajar para comprar uma mercadoria, é recomendável somar os gastos com transporte, hospedagem e alimentação.

Técnicas

Conhecendo bem os custos envolvidos, o empreendedor precisa escolher uma técnica de precificação para calcular o preço adequado. A mais usada entre as pequenas empresas é chamada de “markup” e significa estabelecer um preço suficiente para pagar todos os custos e ainda gerar lucro. Seu cálculo, em resumo, é feito somando o custo do produto, as despesas fixas e variáveis, e acrescentando ao final a margem de lucro que se pretende atingir.

Há também técnicas que levam em consideração o que o cliente está disposto a pagar e que estabelecem o preço a partir do que o concorrente cobra. Outra trabalha com preços dinâmicos, ou seja, estabelece um valor para cada tipo de cliente. É o caso das companhias aéreas e de empresas de e-commerce, que alteram os valores diariamente de acordo com o perfil de compra do consumidor.

Segundo o professor dos cursos de MBA da Fundação Getulio Vargas e autor do livro Guia Prático de Formação de Preços, Roberto Assef, essas metodologias demandam mais acompanhamento do empresário e pesquisas de mercado e, por isso, não costumam ser utilizadas por pequenos negócios.

Concorrente

Para os especialistas, depois de estabelecer o preço em cima dos custos e da margem de lucro, é preciso olhar para o concorrente. Essa rotina permite comparar o preço do seu produto para saber se está acima, abaixo ou de acordo com o praticado pelo mercado.

Se o preço final ficou acima e não há fatores de diferenciação do seu negócio diante da concorrência, a recomendação é reduzir os custos ou a margem de lucro. Caso tenha ficado inferior aos concorrentes, vale a pena deixá-lo assim ou aumentar a margem de lucro. “Quem dita o preço é o mercado. O empreendedor precisa olhar o mercado que está inserido e o público-alvo”, afirmao consultor do Sebrae-PR Luis Zaia.

revisão

Os especialistas recomendam sempre rever os preços estabelecidos. Por exemplo, quem trabalha com importação, deve estar atento à variação do câmbio. Já os demais empreendedores precisam recalcular os preços quando há mudança de fornecedor, nos impostos e em despesas como energia, água e internet.

lucro zero

Uma estratégia comum usada pelas empresas é reduzir o preço de alguns produtos, ficando com margem de lucro nula ou até prejuízo, e recompensando em outros itens de maior valor. Os supermercados, por exemplo, utilizam essa tática. Oferecem um produto mais barato para atrair o consumidor, que acaba levando outros itens mais caros no carrinho.

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