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Unidade do Instituto Embelleze, em Curitiba: marca aposta na expansão das lojas no Paraná | Antônio More/ Gazeta do Povo
Unidade do Instituto Embelleze, em Curitiba: marca aposta na expansão das lojas no Paraná| Foto: Antônio More/ Gazeta do Povo

Opinião

A arte de empreender em Curitiba

Lina Maria Useche Jaramillo, diretora executiva da Aliança Empreendedora

Considerada uma cidade modelo, Curitiba possui mais de 3 milhões de habitantes e a maioria da população está nas classes A, B e C. É o 4º lugar no ranking dos municípios que mais contribuíram com o PIB brasileiro. Uma economia aquecida e um público exigente fazem de Curitiba um ambiente favorável a empreendedores inovadores, que buscam emplacar suas ideias. Mas para isso é fundamental conhecer e compreender este mercado.

No século 18, Curitiba era caminho dos tropeiros que seguiam do Rio Grande do Sul até a baixada paulista e os campos de Minas Gerais. Esse fluxo impulsionou o comércio da região e ampliou as oportunidades de expansão. Diz a lenda que os comerciantes que por aqui passavam se aproveitavam da ingenuidade dos moradores e por muitos anos os enganaram nas negociações, o que tornou os moradores da pequena vila extremamente desconfiados e fechados.

Hoje Curitiba está diferente e vem se tornando cada vez mais aberta, mas sua história deixou marcas no comportamento do consumidor. Segundo pesquisas, 83% dos consumidores se dizem controlados, mais de 80% fazem orçamentos e tiram todas as dúvidas antes de comprar, 62% se informam em jornais, revistas e publicações e 56% consultam a familiares e amigos.

Levando nossa história em consideração, vemos que o mistério que impulsiona os negócios na capital paranaense não está apenas na ponta do consumidor e seu nível de exigência, mas principalmente na capacidade dos empreendedores de desenvolver negócios dignos de confiança e baseados em valores como honestidade, transparência e eficiência. Ações simples e básicas como cumprir prazos de entrega, respeitar o cliente, trabalhar o preço justo, ser pontual e entregar aquilo que foi prometido com a qualidade contratada fazem toda a diferença no sucesso ou fracasso do seu empreendimento nesta cidade e em qualquer outro lugar.

A fabricante de malas e acessórios Primicia está de olho no mercado curitibano. Até o final de 2016, a capital pode receber até cinco unidades da marca, que negocia com os shoppings Barigui e Pátio Batel a abertura das duas primeiras ainda em 2014. "Curitiba está no nosso alvo. A cidade tem 40% de domicílios nas faixas A e B. Esse público é responsável por 80% dos gastos com viagem", explica o gerente de expansão da rede, Roberto Gomes. Até o ano passado, a indústria trabalhava com lojas próprias e venda no varejo para multimarcas. A aposta nas franquias vem atrelada a um plano de expansão que prevê mais 14 pontos de venda no Sul e Sudeste do país até o fim de 2014.

INFOGRÁFICO: Veja as áreas de maior oportunidade no Paráná

A estratégia de crescimento da Primicia está alinhada com as perspectivas de mercado identificadas na pesquisa realizada pela Rizzo Franchise, consultoria especializada no setor que classifica as 200 melhores cidades para negócios de franquia. A edição de 2014 traz 14 cidades paranaenses com melhores ambientes para expansão. A partir de dados do IBGE, os analistas fazem leituras para determinar potencial de consumo e demanda futura em nove setores econômicos. "Isso ajuda a balizar os franqueadores na avaliação de novos mercados onde os investimentos podem ser mais seguros", explica Marcus Rizzo, diretor da consultoria.

Além dos melhores mercados, a pesquisa também aponta a ordem de oportunidades nos segmentos. No Paraná, por exemplo, entre os três primeiros lugares das 14 cidades com melhor avaliação, as áreas de alimentação, automotivo e de roupas e acessórios pessoais são as que mais se destacam. Isso ajuda a identificar nichos e também a eliminar sensações pessoais. "Eu mesmo tinha uma percepção equivocada de que a área de educação estava saturada. Mas a pesquisa demonstrou que o crescimento do potencial de classe C aumentou a demanda por escolas de idiomas, por exemplo", diz Rizzo.

Perspectivas

Mesmo com presença relevante no mercado paranaense – o estado é o quarto no ranking nacional de franquias da marca –, o Instituto Embelleze tem planos agressivos de crescimento por aqui. Em todo o país, dos 370 contratos assinados, 18 são no Paraná. "Até o fim do ano queremos chegar a dez cidades do estado", prevê o presidente executivo da empresa, Paulo Tanoue.

Para atingir a meta de faturamento de 2014, de 20% a mais do que os R$ 200 milhões registrados no ano passado, a marca se apoia na ação de seus franqueados, 70% deles com mais de uma unidade, como a advogada Fernanda Torres, de Curitiba. A primeira loja foi aberta em 2010. A cada dois anos, Fernanda investiu em uma nova unidade. A última foi aberta em janeiro de 2014. "O mercado de beleza tem um crescimento importante. Aqui garantimos um bom padrão de qualificação da mão de obra", diz.

Cuidados

Investir em franquia exige cautela e pesquisa de mercado

Com um crescimento de 12% e faturamento de R$ 115 bilhões em 2013, o setor de franquias engorda aos olhos dos empreendedores. E, entre as mais de 2,7 mil marcas franqueadoras atuantes no mercado nacional, não faltam opções em que investir para abrir um negócio próprio. Diante de um cenário tão amplo, é preciso ter cautela. "É como um relacionamento. Não pode ter pressa para fechar o contrato e é preciso um período de namoro e conhecimento mútuo", diz Marcus Rizzo, diretor da consultoria Rizzo Franchise.

O primeiro conselho de Rizzo é dispensar modismos. Produtos e serviços que estão em evidência nem sempre se adequam ao perfil do candidato a franqueado. "A escolha tem que ser por identificação. A dedicação do sujeito ao negócio vai superar possíveis carências de mercado ou cenários menos promissores", diz.

Depois de escolher o segmento, a dica é investigar o franqueador. Os riscos de investir em uma marca furada e sem futuro serão minimizados com avaliações simples, como conversar com quem já está no negócio.

O passo seguinte é ficar atento às armadilhas do negócio próprio. Mais do que capital de giro para os primeiros seis meses de operação e a escolha adequada do ponto comercial, o empresário precisa estar na linha de frente. A ausência do dono e a delegação de funções prioritárias a funcionários são os principais motivos para a falência.

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