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Shopping de Londrina oferece “test drive” de quiosques

Pontos de venda alugados por empreendimento no interior são alternativa para quem está apostando no primeiro negócio

  • Antoniele Luciano, correspondente
Rodrigo Gomes, funcionário da Kadabra Mágicas |
Rodrigo Gomes, funcionário da Kadabra Mágicas
 
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Facilitar a presença de iniciantes e microempreendedores em shoppings centers e oferecer um ambiente para teste de novos negócios. Essa é a proposta dos chamados carts, modelo de ponto de venda disponível para locação no Shopping Boulevard, em Londrina, no Norte. Os quiosques instalados nos corredores do empreendimento permitem que o comerciante comece as atividades pagando apenas o aluguel, de R$ 3,5 mil. A estrutura é padronizada e pode ser contratada por um período mínimo de 30 dias e máximo de 11 meses.

Uma das principais vantagens do modelo, explica o superintendente do Shopping Boulevard, Fábio Segura, é a oportunidade de teste de um novo produto a partir de um investimento menor. “O valor do aluguel inclui custos de energia, a estrutura física e consultoria para layout. É um preço bem convidativo, diferente do aluguel de uma loja. Neste caso, o lojista precisaria pagar também o condomínio do shopping”, diz.

A oferta dos carts começou ano passado, com a inauguração do Boulevard. Desde então, 14 comerciantes aderiram aos quiosques. Dos oito espaços disponíveis, seis estão ocupados. A rotatividade é grande. Por ali, já passaram desde empresas que vendem de artigos esportivos a chocolates.

Quem procura o quiosque também pode evoluir para uma estrutura maior com a locação de umas das lojas do estabelecimento. Há quem opte ainda pela renovação dos contratos de carts. “Em 100% dos casos, temos geração de novos empregos. Como trabalhamos com vários turnos, o empreendedor contrata até quatro pessoas para ajudá-lo”, pontua o superintendente, ao emendar que os carts também podem ser usados como ponto de apoio para vendas sazonais, como Páscoa e Natal.

Novo conceito

Para o consultor do Sebrae-PR Rubens Fernandes Negrão, os quiosques padronizados tornam mais fácil a participação de mais empreendedores no mix de um shopping center. Porém, ao optar pela modalidade, o empresário deve estar preparado financeiramente para lidar com baixo retorno no início. O ideal é que a estratégia sirva para conhecer o público-alvo, verificar a dinâmica do estabelecimento e observar o nível de aceitação do produto. “Não é uma ação de rentabilidade, mas de penetração no mercado”, define.

Elaborar um plano de negócios pode ajudar nesta empreitada, indica o consultor. O empreendedor deve analisar a concorrência, buscar novidades em relação ao produto ou serviço oferecido e avaliar sua capacidade de endividamento. “É preciso saber ainda quanto ele precisará vender para poder ter retorno e quais serão os recursos humanos necessários, tanto no número de funcionários quanto ao treinamento”, observa.

Ao longo de 11 meses, pondera Negrão, é possível identificar o que deve ser corrigido durante o processo. Para o consulor, trata-se de uma maneira mais rápida de conhecer a dinâmica do mercado, a partir de um canal direto de atendimento ao cliente.

Pesquisa e planejamento financeiro devem anteceder início de atividades

• Professor da disciplina de Finanças e Empreendedorismo do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (ISAE/FGV), o administrador Sérgio Tsuru dá orientações para quem quer entrar em mercados como o dos shoppings centers usando os quiosques.

• É preciso conhecer a realidade de três locatários do modelo ao qual deseja aderir. Vale observar as práticas de venda por pelo menos um dia.

• Antes de fechar negócio, saber onde ficará o ponto de venda e com quais estabelecimentos a concorrência será maior.

• É importante que o quiosque esteja posicionado em um local de fácil acesso ao público, para chamar a atenção do consumidor.

• No início das atividades, é importante que o empresário permaneça no local do início ao fim do expediente.

• O bolso precisa estar preparado para enfrentar um período em que o retorno financeiro nem sempre é garantido. Pode ser necessário entrar com uma reserva pessoal e ter outra fonte de recursos para manter as despesas.

• Uma conta para ajudar no planejamento: a margem de lucro sobre o produto não costuma exceder 35%. Com isso, se o comerciante gasta R$ 6,5 mil com produtos e os vende por até R$ 10 mil, a sobra deverá ajudar a pagar a taxa de aluguel.

• Serviços especializados em consultoria para empreendedores, como o Sebrae, ajudam a estabelecer estratégias de atuação e conhecer as potencialidades do próprio segmento.

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