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Marcos Perillo, CFO da Conta Azul.
Marcos Perillo, CFO da Conta Azul.| Foto: Divulgação

A curitibana Rosilda Camargo, dona do escritório de contabilidade Emprework, utilizava os serviços de um grande banco brasileiro para emitir os boletos de seus clientes até o início deste ano. Mas a cada cobrança emitida, ela tinha de pagar R$ 6,30. E se tivesse de mudar a forma de pagamento de alguém, a empresária ainda tinha de arcar com uma taxa de baixa do documento.

Decidida a cortar custos e agilizar os processos burocráticos do escritório, Rosilda trocou o tradicional banco com que trabalhava pela startup Conta Azul e hoje paga R$ 3,50 por cobrança emitida — uma economia de 44%. “Não pago mais taxa de baixa de boleto e o sistema envia a cobrança automaticamente aos meus clientes. No primeiro mês, achei que tivesse feito algo errado”, recorda a empresária.

Além do ganho de eficiência, a curitibana afirma que o sistema também gera mais transparência ao setor financeiro, uma vez que oferece um relatório com o nome dos clientes que receberam a cobrança e com o dos que, de fato, efetuaram o pagamento. “Pelo banco tradicional, a baixa era feita pelo número do boleto, então era mais difícil a gente fazer o controle de entradas”, compara.

Rosilda Camargo, dona do escritório de contabilidade EmpreWork
Rosilda Camargo, dona do escritório de contabilidade Emprework.| Divulgação

Apesar da  “guerra das maquininhas” revelar o enorme potencial do pagamento por cartão no Brasil, no comércio virtual o boleto bancário ainda é preferência. Pesquisa realizada pelo portal E-commerce Brasil em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) indica que cerca de 75% dos consumidores preferem este modelo de cobrança pelas baixas taxas cobradas e pela facilidade de emissão. Este ano, 6,6 milhões de boletos devem ser emitidos no Brasil, segundo previsão da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

Segredo de custo menor está em parcerias e negociações de preços em massa

Para emitir boletos a R$ 1,49 cada, a startup de gestão empresarial Bling firmou uma parceria com a empresa alemã de pagamentos Wirecard há 18 meses — o valor anterior ao acordo era de R$ 2,29. “Quanto mais boletos emitidos, negociamos preços melhores para os clientes”, afirma Sidney Zynger, um dos sócios da empresa.

De acordo com Zynger, o serviço de emissão de boletos representa 10% do faturamento da startup. “Nossos boletos são 70% mais baratos que os oferecidos pelos bancos e atendem principalmente pequenas empresas e microempreendedores individuais”, calcula ele.

Pequenas empresas também são o foco da catarinense Conta Azul. Ainda no ano passado, a Conta Azul lançou uma plataforma que oferece todo um pacote de serviços de gestão na nuvem que conecta PMEs e contadores.

De acordo com Marcos Perillo, CFO da startup, o perfil de clientes é composto por empresas de serviços (60%), comércio (30%) e pequenas indústrias (10%), com faturamento médio anual de até R$ 3 milhões. A empresa não divulga sua receita anual, “mas deve alcançar R$ 100 milhões no médio prazo”,  calcula o executivo.

A curitibana Juno, que até o início deste ano se chamava BoletoBancário.com, também emite boletos a preços mais acessíveis. Segundo a fintech, cada cobrança sai a R$ 3,90, sendo que a compensação é realizada em um dia útil e não há taxa de emissão e cancelamento.

Com um crescimento superior a R$ 1 milhão ao mês em 2018, a startup decidiu ampliar as operações e oferecer uma gestão mais completa do negócio, além de soluções financeiras. Por conta da expansão, os planos da empresa para 2019 são ambiciosos: manter o mesmo crescimento do ano passado. “Queremos alcançar um mercado maior, porém, ainda mais focado nas micro e pequenas empresas e nos profissionais autônomos”, afirma Matheus Bernert, sócio da Juno.

E foi exatamente a abrangência de serviços de startups de gestão financeira que convenceu Mateus Toledo, CEO da MT Soluções, a contratar a Bling. “Economizo bastante porque só pago pelo boleto compensado, não pelo emitido. Além disso, o sistema é o coração do meu negócio porque todas as informações gerenciais ficam centralizadas lá, como a quantidade de propostas feitas e fechadas e o faturamento do mês”, explica Toledo.

Mas mesmo com a eficiência das startups, o empreendedor admite que os bancos tradicionais possuem algumas vantagens específicas pelo próprio tamanho e credibilidade no mercado — que os favorece a criar novos produtos para os clientes. “Quando precisamos de um plano mais estruturado para o negócio, as fintechs não oferecem soluções suficientes. Mas essa realidade já está mudando [uma vez que as startups estão aprimorando seus serviços e expandindo] e nós vamos acompanhar.”

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