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Energia

Gerar energia eólica em casa já é possível

Fábricas brasileiras produzem e vendem a tecnologia, que começa a ser testada em pequena escala por instituições de ensino, empresas e residências

  • PorClaudia Guadagnin, especial para Gazeta do Povo
  • 19/06/2016 20:37
Professor Julio Omori mostra novo aerogerador que a Universidade Positivo está instalando no campus. | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo
Professor Julio Omori mostra novo aerogerador que a Universidade Positivo está instalando no campus.| Foto: Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Já pensou instalar uma turbina eólica no quintal de casa? A geração de energia eólica na cidade já é realidade e promete, nas próximas décadas, conquistar um mercado ainda tímido.

Até hoje, a baixa procura por sistemas de pequeno e médio portes, aliada à necessidade de importar a parte elétrica das estruturas, encareceu a tecnologia e limitou a expansão dos aerogeradores domésticos no Brasil. Contudo, esse cenário começa a mudar. De olho num mercado promissor, empresas estão se esforçando para desenvolver equipamentos capazes de aproveitar os ventos fracos e irregulares das cidades.

A Enersud, do Rio de Janeiro, foi a primeira brasileira a produzir aerogeradores para uso urbano. Diferente do modelo tradicional com pás – bastante utilizado e vantajoso em fazendas eólicas – a proposta da carioca foi criar turbinas menores, silenciosas e cujas hélices giram em torno do mesmo eixo, mas de modo vertical.

Sistema híbrido

Para evitar prejuízos, a dica é escolher bem o local para instalação e até considerar a adesão de um sistema híbrido – quando tecnologias fotovoltaica e eólica atendem um mesmo ponto de consumo. Em casos assim, a geração elétrica pode ocorrer 24 horas por dia. Em Curitiba, a empresa Elco conta com uma opção híbrida. Com 2,5 quilowatts de potência instalada, ela mantém em funcionamento permanente o sistema de monitoramento da companhia, mesmo diante de oscilações ou quedas da rede. Em São José dos Pinhais, a fábrica Mirano tem opções para diferentes expectativas

A característica permite o aproveitamento de ventos oscilantes e foi resultado, em 2010, de uma parceria com a UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro), Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e Ampla, concessionária de energia da região.

“Ela pode ser instalada em telhados de casas a topos de grandes edifícios. Porém, quanto maior a altitude, melhor o desempenho”, explica Silvia Azevedo, diretora da Enersud. Para ela, o mercado soma condições para crescer, amparado pela expansão das tecnologias renováveis no país. “84% da população brasileira vive nas cidades. Com os incentivos da Aneel para mini e microgeração distribuída, a demanda deve crescer”, opina.

Tecnologia ainda é cara

Desde 2014, quando as estruturas urbanas começaram a ser comercializadas pela companhia, 62 unidades foram vendidas no Brasil. Até agora, instituições de ensino e pesquisa fizeram a maior parte dos pedidos, mas o interesse das construtoras também aumentou. “É um investimento que valoriza o imóvel e não pesa tanto, por ficar diluído no financiamento”, diz Silvia.

Em locais com menos ventos, os aerogeradores domésticos custam mais. “Em regiões em que o vento atinge velocidades de seis a oito metros por segundo, por exemplo, em torno de 100 a 200 quilowatts/hora costumam ser gerados. O mesmo sistema no Nordeste, onde os ventos são praticamente ininterruptos, a mesma estrutura produz quase o dobro de energia, com índices próximos a 350 quilowatts/hora”, compara Maurício Cardoso Arouca, professor de Planejamento Energético da UFRJ.

Em locais em que os ventos são mais fracos, com média de quatro metros por segundo, por exemplo, o desempenho pode cair para 62 quilowatts/mês. Nesse caso, a produção alimentaria apenas algumas poucas lâmpadas, um televisor e um refrigerador. “Isso eleva o tempo de retorno do investimento. Quanto menor o volume de vento, menor a economia conquistada”, resume o professor.

Custo da tecnologia deve cair com ganho de escala

Dependendo da potência, os preços dos aerogeradores urbanos costumam variar de R$ 26 mil a R$ 40 mil. Na medida em que o mercado ganhar escala – como já acontece hoje com o setor fotovoltaico – os custos devem diminuir.

No Brasil, ainda são poucas as companhias que desenvolvem e comercializam opções para uso doméstico. Além do Rio de Janeiro, São Paulo e Ceará têm empresas que atuam no setor. No Paraná, a Mirano – que acaba de firmar sociedade com a Enersud – e a ZM Bombas, de Maringá, produzem e vendem opções de turbinas domésticas.

Laboratório

Recentemente, a ZM fechou negócio com o Grupo Positivo, que adquiriu um aerogerador com potência instalada de 3 quilowatts. Ele alcança 12 metros de altura e está sendo instalado no campus da Universidade Positivo (UP). Julio Omori, professor do curso de Engenharia de Energia diz que a novidade deve reduzir a conta de luz em até 3%. Dentro de um mês, o sistema conectado à rede elétrica começa a funcionar.

“Nossa intenção também é gerar economia, mas, muito mais, incentivar a pesquisa do setor renovável nos cursos de graduação e pós-graduação da UP”. Entre este e o próximo ano, no mesmo local, o grupo prevê instalar outras estruturas, como um biodigestor de pequeno porte, uma pequena usina hidráulica e duas estruturas movidas à energia solar.

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