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Indústria

Weg contorna desaceleração com aposta em energias renováveis

Fabricante de Jaraguá do Sul é a primeira brasileira a produzir aerogeradores. Crescimento do setor eólico e ganho de mercado estrangeiro permitiram à companhia faturar mais

  • PorClaudia Guadagnin, especial para Gazeta do Povo
  • 27/05/2016 20:50
Mercado brasileiro responde por 43% do faturamento da Weg: crescimento do setor eólico promete elevar participação do país na geração de receitas. | Jonathan Campos/gazeta do povo
Mercado brasileiro responde por 43% do faturamento da Weg: crescimento do setor eólico promete elevar participação do país na geração de receitas.| Foto: Jonathan Campos/gazeta do povo

Conhecida como uma das maiores fabricantes de motores elétricos do mundo, a Weg, de Jaraguá do Sul (SC), conseguiu contornar a desaceleração da economia nacional ao apostar no setor de energias renováveis. A companhia, fundada em 1961, passou a dominar nos anos 80 a produção de sistemas elétricos industriais completos e, desde a década de 1990, exporta componentes para a fabricação de turbinas eólicas norte-americanas. Em meados de 2012, assumiu o desafio de produzir equipamentos próprios, passando a construir e comercializar aerogeradores completos.

A aposta foi vista como ainda mais estratégica quando o risco de racionamento registrado entre 2014 e 2015 intensificou o debate sobre a urgência de diversificar a matriz energética nacional. Hoje, quase 70% da energia gerada no Brasil é proveniente de hidrelétricas, mas leilões de energia renovável promovidos com frequência pelo governo federal desde 2013 vêm estimulando a construção de parques eólicos e solares em diferentes estados. Já são 375 eólicos e 99 solares operando ou em construção no país. A muitos deles, a Weg forneceu algum componente dos sistemas.

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A empresa também foi a primeira a atender 100% dos critérios exigidos em 2012 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para incentivar a produção nacional das peças que compõem os aerogeradores. Desde 2014, quando as primeiras entregas foram feitas, 126 unidades das megaestruturas deixaram a fábrica de Jaraguá do Sul rumo a distribuidoras de energia de Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Nordeste. Até março de 2018, nenhuma nova encomenda pode ser aceita pela fábrica. “Nossa capacidade máxima de produção está comprometida em razão de contratos já firmados há cerca de dois anos”, conta João Paulo Gualberto da Silva, diretor do setor eólico.

A WEG não revela quanto o mercado de renováveis representa em termos de receita, mas, entre as tecnologias desenvolvidas, a porção eólica ocupa metade da demanda. Os outros 50% ficam distribuídos entre as áreas solar, de biomassa e PCHs (pequenas centrais hidrelétricas). O crescimento do mercado eólico, segundo a diretoria, vem sendo determinante para ainda manter o Brasil no posto de responsável por 43% do faturamento da empresa. Os outros 57% já são provenientes de investimentos estrangeiros. E a tendência, os números indicam, é de aumento.

Hoje, a companhia conta com fábricas em 12 países e já exporta para mais de 100. O crescimento da demanda eólica, associada ao avanço no mercado externo, garantiu à Weg condições para seguir na contramão de indústrias nacionais que sofrem com quedas no faturamento. No quarto trimestre de 2015, viu seu lucro líquido crescer 46%, apoiado por uma expansão de 25% na receita. O montante de R$ 384 milhões, garantido entre os meses de outubro e dezembro, por exemplo, foi quase 45% superior ao obtido no terceiro trimestre, segundo dados divulgados em balanço.

Produção de aerogeradores

Hoje, apesar de algumas poucas peças serem importadas da China, as turbinas eólicas são feitas quase que na totalidade com tecnologia local. Quatro meses são necessários para a produção completa de uma unidade. A cada semana, no ritmo atual de produção da companhia, são finalizadas duas.

Com 2,1 megawatts de potência instalada e 120 metros de altura, as estruturas passam a gerar energia a partir do momento em que captam ventos de 40 km/h. Por mês, cada uma é capaz de atender a demanda energética de 2 mil residências. Para dar conta do volume de produção, 1.500 mil funcionários dos 15 mil que trabalham na fábrica de Jaraguá do Sul foram realocados para o setor eólico. A companhia também trabalha no projeto de uma turbina com 3,3 megawatts de potência. O protótipo deve ser concluído no primeiro trimestre de 2018.

Copel mantém acordo bilionário com a Weg

Em dezembro do ano passado, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica (Copel) assinou um contrato de R$ 1,4 bilhão com a Weg para fornecimento de 149 aerogeradores. Juntos, os equipamentos tem capacidade para produzir 312 megawatts (MW) de energia e atender o consumo energético de 2 milhões de habitantes. As estruturas serão instaladas em 13 parques eólicos da Copel no Rio Grande do Norte, nos complexos de Cutia e Bento Miguel. O primeiro vai receber 86 turbinas e o segundo, 63. Eles devem começar a produzir energia em 2017 e 2018 e são geridos pela concessionária de energia do estado por meio da Copel Renováveis S.A, que, desde 2015, opera na área eólica no estado. A produção dos aerogeradores pela Weg já começou e deve ser concluída ainda no segundo semestre.

Portfólio tem outras tecnologias renováveis

Componentes para usinas de biomassa – que transformam materiais orgânicos em energia a partir de processos de combustão – para PCHs (Pequenas Centrais Hidrelétricas) e sistemas fotovoltaicos também são produzidos pela Weg. Os esforços para expandir os negócios e dominar ainda mais as tecnologias renováveis devem acompanhar o aumento da demanda. A empresa já implantou 290 PCHs e instalou 24 megawatt-pico (MWp) em projetos solares em território nacional.

No caso dos sistemas fotovoltaicos, a companhia criou uma tecnologia própria de inversores que transformam a corrente contínua, que vem das placas solares, em alternada, que chega à tomada. O sistema instalado é entregue pronto à distribuidora energética que contrata os serviços. As placas solares, entretanto, ainda vêm da China. “Nossos esforços são para, com o tempo, desenvolver tudo o que for possível com tecnologia própria. Quando o Brasil voltar a crescer, a geração energética por fontes renováveis vai ser cada vez mais necessária para evitar apagões. Esperamos aumentar as condições de atender o mercado”, indica João Paulo. Para isso, os investimentos em pesquisa devem continuar, sinaliza o diretor. Desde o início das atividades, a Weg conta com um comitê científico e tecnológico integrado por engenheiros, consultores e professores de universidades nacionais, norte-americanas e também europeias. As reuniões ocorrem periodicamente para discutir possibilidades de melhorias e inovação na área de renováveis.

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