Miriam Belchior, que será ministra do Planejamento; José Eduardo Cardozo, que coordena a transição; Guido Mantega, que permanecerá como ministro da Fazenda, e Alexandre Tombini, indicado à Presidência do Banco Central, falaram com jornalistas durante coletiva em Brasília | REUTERS/Ricardo Moraes
Miriam Belchior, que será ministra do Planejamento; José Eduardo Cardozo, que coordena a transição; Guido Mantega, que permanecerá como ministro da Fazenda, e Alexandre Tombini, indicado à Presidência do Banco Central, falaram com jornalistas durante coletiva em Brasília| Foto: REUTERS/Ricardo Moraes

Compromisso com corte de gastos de custeio da máquina pública, redução da dívida pública e obediência às metas de inflação foram o tom das primeiras declarações das principais figuras econômicas do governo de Dilma Rousseff confirmadas nesta quarta-feira.

Era tudo o que o mercado gostaria de ouvir.

"O crescimento só será sustentado se não gerar dívida pública nem inflação", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a jornalistas, após a confirmação oficial de que será mantido no cargo pela presidente eleita, ao lado da futura ministra do Planejamento, Miriam Belchior, e do próximo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini.

Foi uma clara resposta aos receios que tomaram os mercados nas últimas semanas, em meio à especulação de nomes que ocupariam os cargos e a uma eventual guinada nas principais diretrizes econômicas do atual governo.

De acordo com Mantega, o compromisso do governo Dilma é o de superar a taxa média de crescimento dos últimos anos, com geração de emprego e erradicação da miséria.

"Porém, o crescimento só será sustentado se for sem desequilíbrios macroeconômicos... não aumente o endividamento do Estado", afirmou o ministro.

E os esforços nessa direção devem começar já no ano que vem, prometeu, com cortes nos gastos de custeio. A meta é reduzir a relação dívida/PIB dos atuais 41 para 30 por cento até 2014. Com isso, o governo espera uma queda do juro básico e o aumento da poupança pública para elevar os investimentos.

O discurso foi endossado por, Miriam Belchior, que frisou a necessidade de ampliar a participação dos investimentos nos gastos totais do governo.

"Nós certamente vamos canalizar a maior parte dos recursos disponíveis para as prioridades já apontadas pela presidente", afirmou.

Já Tombini, atual diretor de Normas do BC e há muito tempo o mais cotado para chefiar o órgão no lugar de Henrique Meirelles, declarou ter recebido garantias de Dilma de que haverá autonomia total da autoridade monetária."Ela me disse que nesse regime não há meia autonomia, é autonomia operacional total", afirmou, reafirmando o compromisso com a meta de inflação de 4,5 por cento ao ano.

Repercussão

A nomeação dos três, que já era dada como certa desde a véspera, foi recebida com um otimismo cauteloso pelo mercado.

"A definição da equipe econômica pela presidente eleita Dilma Rousseff confirma as melhores expectativas sobre os rumos do novo governo", disse em nota o presidente-executivo do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco.

Apesar dos elogios, ainda existe uma preocupação de que o discurso seja provado na prática.

"Tanto BC como Planejamento ainda têm de passar pela prova dos nove. O BC para provar independência, e o Planejamento para mostrar compromisso com ajuste fiscal", afirmou André Perfeito, economista da Gradual Investimentos.

Os mercados financeiros domésticos, também favorecidos pelo panorama de recuperação das principais praças internacionais, reagiu de forma positiva. As projeções de juros futuros, que vinham subindo em meio a temores sobre o futuro da política monetária, caíram mesmo após outro dado de inflação divulgado pela manhã mostrando que os preços seguem avançando em ritmo superior ao desejado pelo BC.

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