
A marca de luxo Ermenegildo Zegna decidiu abandonar a Argentina após 14 anos de operação num dos bairros mais nobres de Buenos Aires, a Recoleta. A dificuldade de importação de produtos motivou a decisão.
"Devido às dificuldades para importar mercadorias que nos impedem de abastecer a loja, decidimos fechá-la no dia 28 deste mês", confirmou ao "La Nacion" Alberto Tenaillon, presidente da Ermenegildo Zegna na Argentina.
A empresa começou sofrer com as barreiras às importações em 2009, quando estava em vigor o sistema de licenças não automáticas de importação. No início, apenas alguns artigos de couro foram afetados por este procedimento, mas, em seguida, as regras foram estendidas e toda a mercadoria foi alvo do licenciamento não automático.
"Durante a administração do secretário de Comércio, Guillermo Moreno, o acertado era exportar para poder importar, por isso a empresa exportou lã penteada por um valor equivalente às importações", lembrou Tenaillon.
Restrições
Um novo capítulo começou pouco antes da partida de Moreno, em 2013, com novos procedimentos legais em vigor. Foram implementadas as declarações antecipadas de importação, conhecidas como DJAI, um sistema que prometia acabar com o processo moroso de licenças não automáticas. Segundo um despachante aduaneiro dedicado ao segmento de luxo que prefere manter o anonimato, a situação ficou ainda mais complicada.
"O Ministério do Comércio, já sob comando de Augusto Costa, encerrou todo o contato entre as empresas e o organismo e o trâmite da DJAI foi relegado exclusivamente a um sistema de computador que monitora solicitações sem qualquer possibilidade de interferência", explicou o despachante. Assim, o sistema é bloqueado e não tem possibilidade de correção.
"De cada 10 DJAI apresentadas, autorizam-se duas e sempre mercadorias que não são as mais importantes", disse a fonte.
Ermenegildo Zegna entrou para a longa lista de marcas de luxo que deixaram o país. No ano passado, foi a vez de Carolina Herrera, como antes já haviam feito Fendi, Louis Vuitton, Yves Saint Laurent, Escada, Polo Ralph Lauren, Emporio Armani, Cartier e Calvin Klein.
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