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Câmbio

Estouro da bolha é o “subprime brasileiro”

Brasília - O estouro da bolha cambial, a exemplo do crédito imobiliário nos Estados Unidos, já é considerado pelos economistas do Ministério da Fazenda como o tempero amargo do Brasil na crise global, o "subprime brasileiro". A subida repentina do dólar nas últimas semanas surpreendeu governo, mercado e, principalmente, empresas que especulavam com a moeda americana e, do dia para a noite, amargaram brutais prejuízos com a desvalorização do real – em menos de um mês, o dólar disparou de R$ 1,60 para R$ 2,32.

Teoricamente, os grandes exportadores deveriam ganhar com a desvalorização, pois suas vendas em dólar rendem mais reais. Mas está ocorrendo exatamente o contrário. Por meio de operações altamente especulativas, eles captaram mais dólar do que precisavam no exterior, trocaram em reais no Brasil e apostaram no mercado futuro que a taxa não passaria de R$ 1,80, com a expectativa de lucrar com o juro alto. Com isso, quem apostou que o dólar não passaria de R$ 1,80 está ameaçado de vender a moeda americana por esse preço, quando ela já está custando 40% mais caro.

A operação não seria um problema tão grave se as empresas tivessem dólar estocado – o que não é o caso desse tipo de aposta financeira, que é virtual. Segundo analistas do mercado, a estratégia vinha dando certo até recentemente, e era uma forma de as empresas compensarem a queda de receita que tinham com suas transações mercantis, em decorrência da valorização do real. O problema é que essas operações inundaram o mercado brasileiro de dólares e agravaram a espiral de supervalorização da moeda nacional.

O governo ainda não concluiu o levantamento sobre a extensão do estrago, mas o mercado especula que as operações com derivativos somariam pelo menos US$ 40 bilhões e também atingiriam empresas de porte médio, que têm menos caixa para enfrentar o prejuízo. "Acho que vamos ver alguns casos de insolvência", prevê o economista José Roberto Mendonça de Barros, da consultoria MB Associados.

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